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Retrato do Brasil, Via Dutra faz aniversário

20/01/2013

Postado em : 19/01/2013 11h11 – Ocimar Barbosa | Foto : Domínio Público

http://www.agoravale.com.br/noticias/Acervo_Digital/Retrato_do_Brasil__Via_Dutra_faz_aniversario

 



Na inauguração da Via Dutra em 19 de janeiro de 1951, em destaque o Chevrolet 1940, logo mais atrás um Lincoln 1949 e um Mércury 1947 e, à direita um Cadillac 1947

Trafegar ou caminhar pela Rodovia Presidente Dutra é mergulhar nas páginas da história que liga as duas maiores cidades brasileiras. Nesse trajeto, um tour pela grande ?avenida? começa (se o viajante vai no sentido Rio) na Grande São Paulo, e segue pelo Vale do Paraíba em seus trechos paulista e fluminense, Baixada Fluminense, Serra das Araras e a região conhecida como Vale do Aço. A área toda corresponde à metade do PIB do Brasil.

Inaugurada em 1951, a nova estrada substituiu em importância a antiga ligação entre Rio e São Paulo, a Rodovia Washington Luis, existente desde 1928. O novo trajeto encurtava as distâncias em cerca de seis horas. À principio, era feita de uma única pista, com duplicação apenas no trecho entre São Paulo e Guarulhos e na Baixada Fluminense.
Somente em 1967 é que teve inaugurada, por completo, a segunda pista.

Seu nome presta uma homenagem ao Presidente da República na época, general Eurico Gaspar Dutra, que no dia 19 de janeiro de 1951 descerrou a placa de inauguração da nova Rodovia Rio-São Paulo, a BR-02. A solenidade de inauguração aconteceu na altura da cidade de Lavrinhas.

Responsável pelo desenvolvimento das cidades que corta, a Via Dutra levou 16 anos pra ficar totalmente pronta. Dos seus 405 quilômetros iniciais, 339 estavam concluídos no dia da inauguração, junto com todos os serviços de terraplenagem e 115 obras de arte especiais (trevos, viadutos, pontes e passagens inferiores). Ainda faltava a pavimentação de 60 quilômetros entre Guaratinguetá e Caçapava e outra trecho de 6 quilômetros nas proximidades de Guarulhos.

Era uma pista apenas, mas já oferecia mais rapidez e economia. Com auxílio de equipamentos importados, a estrada foi construída com as mais modernas técnicas de engenharia da época, o que permitiu construção de aclives e declives menos acentuados e curvas suaves. A BR-02 era bem mais confiável, e alem disso, a Rio-São Paulo de 1951 permitiu reduzir a distância rodoviária entre as duas capitais em 111 quilômetros, em comparação com o traçado da velha rodovia de 1928.

A redução do trajeto foi conseguida com obras de superação de obstáculos naturais, basicamente na área rochosa da garganta Viúva Graça, região da Serra das Araras e Baixada Fluminense. Ali, o paredão de granito teve que ser rebaixado em 14 metros.

O valor da obra? 1,3 bilhão de Cruzeiro, investimento alto para aqueles tempos e muito criticado principalmente na imprensa.

Um dos maiores desafios foi o trecho do ?retão? de Jacareí e quem trafega pelo local, a cerca de três metros do terreno em volta, não pode imaginar o desafio que a engenharia da época enfrentou. São cerca de seis quilômetros de várzea e terra turfa, ou seja, solo instável e que demandou 12 milhões de m² de terras, o equivalente a 1,6 milhão de caminhões cheios, em um aterro submerso de 15 metros de profundidade.