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O Equívoco do 25 de abril e o PCP

17/09/2013

Daniel Serrão publica livro onde acusa PCP de “saneamento político” em 1975

Daniel Serrão falava à agência Lusa antes da apresentação, no Porto, de “Um Saneamento Exemplar”, livro que considera “um testemunho do saneamento político” de que foi alvo em 1975, quando era professor da Faculdade de Medicina do Porto (FMP) e médico no Hospital de S. João.

“Apresento um depoimento pessoal, apoiado na minha memória e nos documentos que pude reunir”, afirma o professor.

Daniel Serrão defende que ela [obra] vale “pelo seu carácter de exemplaridade e por ilustrar o que foi uma época da sociedade portuguesa que todos desejamos nunca mais se repita”.

Em declarações à agência Lusa, o autor faz um desafio ao Partido Comunista: “Se tiveram provas em contrário que as mostrem”.

Caso contrário, o desafio do médico e professor é de outra natureza: “Espero que o Partido Comunista me apresente um pedido de desculpas. Seria um gesto elegante e por mim bem recebido”.

Um Saneamento Exemplar”, da Alétheia Editores, foi apresentado hoje na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, pelo anterior presidente desta estrutura Miguel Leão.

Miguel Leão, foi aluno de Daniel Serrão e trabalhou com ele “durante oito anos” na Universidade Católica.

Em seu entender, “é preciso ter uma enorme coragem para escrever este livro”, porque envolve pessoas que ainda estão vivas, “o que poderá gerar alguma incomodidade”.

Entre essas pessoas, Daniel Serrão nomeia no livro o médico e ex-professor universitário António Hespanha, então director-geral do Ensino Superior, e José Miguel Judas, este como presidente da Comissão Interministerial de Saneamento e Reclassificação.

No campo oposto, Serrão menciona “o estudante Luís Filipe Menezes”, um dos que, na altura, o defendeu e que, por isso, “foi barbaramente espancado ao chegar a casa e teve de ser assistido no Serviço de Urgência do hospital”.

Em pouco mais de 200 páginas do livro, mais de metade documentos com os quais procura sustentar a sua acusação, Daniel Serrão historia o que se passou consigo depois do 25 de Abril de 1974.

Médico, docente, investigador, católico convicto e conselheiro do papa, Serrão aborda, de início, a “Assembleia Magna” que, em Novembro de 1974, reuniu docentes, funcionários e alunos e se pronunciou pela sua “expulsão” da FMP, acusado de ter denunciado estudantes à PIDE.

Daniel Serrão garante, no livro, que nunca o fez [denúncias], porque isso “seria um acto repugnante”, e revela que não acatou essa decisão.

Nesse mesmo mês, foi “suspendido” pelo então ministro da Educação, Vitorino Magalhães Godinho.

“Verifiquei que esta informação era falsa”, relata Serrão, explicando que se manteve, por isso, em funções.

O pior estava para vir, afirma.

“Em 23 de Junho de 1975 soube, por uma notícia de um jornal, que tinha sido demitido de professor e da função pública por despacho do ministro da Educação e Cultura”, escreve.

Cerca de um ano depois, Daniel Serrão foi reintegrado, graças uma “decisão do Conselho da Revolução”, e retomou a suas funções de professor da FMP e de director do Serviço Hospitalar de Anatomia Patológica do Hospital de S. João.

Daniel Serrão não tem dúvidas: “o PCP e a extrema-esquerda estiveram por trás destas decisões”.

“Atribuíam-me poderes extraordinários, resultantes da minha suposta vinculação a uma organização secreta de orientação nazi, ligada a movimentos europeus de católicos integristas”, afirma o médico no livro.

“Pura fantasia”, observa.

Nesse período “conturbado” da história contemporânea portuguesa, escreve Serrão, que foi o período imediatamente após o 25 de Abril, “muitas pessoas foram afastadas dos seus cargos públicos devido às suas ligações ou simpatias, por vezes infundadas, com o regime de Salazar/Marcelo Caetano”.

“Eu teria de ser abatido”, aponta Daniel Serrão. “Assassinado, forçado a sair do país, demitido ou submetido”, garante Daniel Serrão que “essas quatro vias foram consideradas seriamente”, tudo porque, assegura, se opôs à alegada tentativa comunista para tomar conta da FMP e do Hospital de S. João.

O livro será apresentado em Lisboa, sexta-feira, também na Ordem dos Médicos, pelas 18:00.

AYM.

Lusa/fim

Agência Lusa

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29/08/2013

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