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19/09/2008

ORIGEM E POVOAMENTO

A  Região dos “Campos do Avanhandava” e do “Salto do Avanhandava” no baixo Rio Tietê, quando da chegada dos primeiros pioneiros (brancos colonizadores), era habitada pelos índios Coroados (ou Kaingang ou ainda Caingangue) vindos do sul do Brasil.

O topônimo Ava – Nhandava significa: ” O índio que fala o dialeto Nhandeva“, por isso não se diz: “salto de, e, sim, se diz: “Salto do Avanhandava” ou “Cachoeira do Avanhandava”, e por isso se acredita que os nhandevas predominavam na região quando da chegada dos índios Coroados.

A primeira presença do Estado brasileiro na região foi, na década de 1860, pouco antes da Guerra do Paraguai, uma Colônia Militar (quartel, fortaleza), próxima ao Salto do Avanhandava, que recebeu o nome de Colônia do Avanhandava e o apelido de Degredo.

Naquela época se criaram várias colônias militares em todo o Brasil para proteção das fronteiras e para “proteger a população do interior contra índios selvagens, facilitar as comunicações e o comércio e ajudar os núcleos civis que se fundarem nas suas vizinhanças”.

A Colônia do Avanhandava, localizada próximo ao porto de desembarque, o Porto do Cruz, no rio Tiête, pouco antes da Cachoeira do Avanhandava, junto à estrada que ligava Piracicaba a Paranaíba, foi criada pelo decreto imperial de 18 de março de 1858, e tinha como objetivo, proteger o povoamento da região, onde cinco fazendeiros compraram terras devolutas do governo e pretendiam formar um “patrimônio”, como se chamava, na época, as pequenas povoações, recém criadas, construídas ao redor de uma capela, à qual se doa um “patrimônio“: uma área para praça, capela e abertura de ruas ao seu redor.

A Colônia do Avanhandava deveria servir também de retarguarda à Colônia de Itapura, na foz do rio Tiête. A Colônia do Avanhandava, porém, não prosperou.

Uma missa no sertão:

Hoje, o salto do Avanhandava, a colônia militar e a velha Usina Hidrelétrica de Avanhandava jazem no fundo da represa da Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava.

Posteriormente, próximo ao velho quartel já abandonado e ao Ribeirão do Lageado, se tentou formar, em 1883, pelos primeiros pioneiros, um Patrimônio, tendo como orago o “Nosso Senhor dos Passos”. Este primeiro patrimônio não prosperou porque uma das famílias pioneiras, os Pinto Caldeira, foi massacrada pelos índios em 1886.

Esta família Piinto Caldeira é homenageada dando seu nome ao Córrego dos Pintos, na região do Ribeirão do Lageado, a qual ainda pertence ao município de Penápolis, e foram enterrados no cemitério do Lageado, o qual é o momumento histórico mais antigo de Penápolis e única construção que restou do antigo Patrimônio de Nosso Senhor dos Passos.

Em 1895, o presidente do estado de São Paulo, Bernardino de Campos, autoriza em lei, a construção de uma estrada de Bauru ao Salto do Avanhandava, estrada esta que facilita o acesso à região dos Campos do Avanhandava.

O Patrimônio do Santa Cruz do Avanhandava surgiu, tempos depois, em 1908, em terras compradas dos herdeiros da pioneira Maria Chica pelo empreendedor Coronel Manuel Bento da Cruz e em terras doadas em 1906, pelo fazendeiro Eduardo José de Castilho.

Eduardo Castilho doou, em 1906, para a formação do novo patrimônio, um lote de terras aos frades capuchinhos, e ele e Manuel Bento da Cruz venderam as terras vizinhas ao novo patrimônio para os pioneiros, fracionando-as em pequenos lotes de terras, os sítios.

Manuel Bento da Cruz adquiriu terras públicas em leilão e as registrou em 1907 no cartório de notas de São José do Rio Preto e rapidamente as vendou em pequenos lotes aos pioneiros.

A colonização de Penápolis, portanto, foi feita, como em todo o oeste paulista, de acordo com a Lei de Terras estadual nº 323 de 1895, que só permitia a aquisição de terras devolutas, pertencentes ao governo do estado, em leilão (haste) público.

A Lei de Terras paulista, inspirada na lei de terras do Império do Brasil nº 601 de 1850, exigia também que, em breve, o seu comprador as revendesse em lotes que não podiam passar de 500 hectares em terras de cultura, 4.000 hectares em “campos de criar” e 40 hectares nos lotes suburbanos, sendo considerados suburbanos os lotes a menos de 12 quilômetros do centro da povoação, garantindo, assim, o acesso à terra aos pequenos proprietários.

Assim, para estimular a colonização da região, Manuel Bento da Cruz, Eduardo de Castilho e os capuchinhos fundaram o Patrimônio de Santa Cruz do Avanhandava, em 25 de outubro de 1908, esperando a próxima chegada dos trilhos da ferrovia da NOB. Esta data é oficialmente a data de fundação de Penápolis.

Como marco deste acontecimento, realizaram um primeira missa naquele dia e ergueram eles um cruzeiro em frente ao local onde, depois, se instalou, em 1923, o 1º Grupo Escolar de Penápolis. No lugar onde ficava o cruzeiro, há atualmente uma estátua de São Francisco. Nos patrimônios e cidades daquela época se concentravam os estabelecimentos comerciais, porém a grande maioria da população vivia na zona rural.

Logo em seguida, em 2 de Dezembro de 1908, chegou ao novo povoado, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, na época chamada Estrada de Ferro Bauru – Itapura, que impulsionou o povoamento da região. As estradas de ferro, naquela época, eram fundamentais para o transporte de grãos de café, a maior produção agrícola da época, para o porto de Santos.

A construção dos trilhos da Noroeste do Brasil prosseguiu, em terras pertencentes, na época, à Penápolis, rumo ao rio Paraná onde os trilhos chegaram em 1910, com um número de mortos por malária e por índios de 10.000 pessoas. O primitivo traçadado da NOB era o ramal Araçatuba– Lussanvira (a atual Pereira Barreto), ramal este que margeava o Rio Tietê, sujeitando os trabalhadores da linha à malária.

Em 17 de novembro de 1909, o patrimônio se torna um distrito de paz de São José do Rio Preto, com seu território se estendendo até próximo da foz do Rio Tietê, no Rio Paraná, divisando ali com o distrito de paz de Itapura. Em 22 de dezembro de 1913, Penápolis torna-se um município.

Os pioneiros encontraram seus maiores obstáculos nos ataques dos índios e na malária, na época chamada de maleita e impaludismo. Os índios só foram finalmente pacificados, em 1912, com a ação do Coronel Cândido Rondon, que, por isto, é homenageado dando seu nome a SP-300 que é a principal rodovia que corta a região da Estrada de Ferro NOB (Bauru até a divisa com o Mato Grosso do Sul), atual Novoeste.

Um dos últimos grandes ataques de índios, se deu em julho de 1910, quando o agrimensor Christiano Olsen e sua equipe foram mortos e queimados pelos índios caingangue na fazenda Baguassu, próxima a atual, Araçatuba, região que, na época, pertencia a Penápolis.

A pacificação dos índios realizado pelo Coronel Rondon foi decisiva para o povoamento da região, tanto que o preço do alqueire de terra subiu 1.000% de 1910 a 1914, passando de 13$000 réis a 100$000 réis, indicando um grande aumento da procura por terras após a pacificação. Em 1925, o alqueire de terra, próximo à área urbana de Penápolis, já estava cotado a 1:000$000, ou seja, uma nova valorização de 1.000% em relação a 1914.

Em 1929, a região da NOB, recebeu a visita do presidente de São Paulo, o Dr. Júlio Prestes, o Seu Julinho, que comparou os pioneiros desbravadores da Noroeste aos bandeirantes, desbravando terras e enfrentando perigos de todo tipo.

O Dr. Júlio Prestes

A situação da velha Noroeste do Brasil, que pertencia ao governo federal, melhorou muito, quando, em 1935, o Dr. Getúlio Vargas, iniciou o empedramento da linha férrea, eliminando-se as nuvens de poeira que penetrava nos vagões, e concluiu, em 1940, a construção de uma variante entre Araçatuba e Jupiá, afastando a estrada de ferro das margens do rio Tietê e portanto da malária, (impaludismo).

O primeiro Grupo Escolar foi instalado em 1919 e o primeiro Ginásio Estadual em 1935.

Pouco restou da cultura dos índios Coroados: peças de museu e uma a aldeia Icatu a 35 kilômetros de Penápolis. A cidade foi, porém, enriquecida por várias tradições européias e asiáticas, pois se estabeleceram em Penápolis imigrantes de vários países para trabalharem nas lavouras de café; Vieram também, para Penápolis, muitos migrantes de Minas Gerais, com tradição em engenhos de cana-de-açúcar, doces, queijos e o carro de boi.

História administrativa

Em 23 de março de 1858, o decreto federal nº 2.126, assinado pelo Marquês de Olinda cria a Colônia Militar do Avanhadava, na estrada entre Piracicaba e Paranaíba:

“Art. 1º A Colonia militar estabelecida por Decreto desta data, na estrada que vai da Villa da Constituição em S. Paulo á de Sant’Anna da Parnahyba em Matto Grosso, terá por districto não só huma legua quadrada, que será medida e demarcada, como todo o mais territorio, que for designado pelo Presidente da Província com approvação do Governo Imperial”.

Em 17 de novembro de 1909, pela lei estadual nº 1.177, o Patrimônio do Santa Cruz do Avanhandava é elevado à condição de distrito de paz de São José do Rio Preto e passa a se chamar “Villa de Pennapolis”, em homenagem ao recém-falecido presidente da República Afonso Pena, grande incentivador das ferrovias, e, cujo teor, é o seguinte:

“O Dr. Manoel Joaquim de Albuquerque Lins, Presidente do Estado de São Paulo, faz saber que o Congresso Legislativo do Estado decretou e eu promulgo a lei seguinte:

Artigo I: Fica creado, no município e comarca de São José do Rio Preto, o districto de paz de Pennapolis, no povoado e estação de Santa Cruz do Avanhandava, da Estrada de Ferro Noroeste do Brazil”.

Outra povoação recebeu também, naquela época, o nome de Penápolis: a atual cidade de Rio Branco, no Acre.

Em 16 de dezembro de 1910, pela lei estadual 1.225, o Distrito de Paz de Penápolis é transferido para o município e comarca de Bauru. Pela mesma lei, é incorporado à Penápolis todo o território pertencente ao, então, extinto distrito de Itapura.

A “Villa de Pennapolis” foi desmembrada do município de Bauru e elevada à condição de município, em 22 de dezembro de 1913, pela Lei estadual nº 1.397, passando a se chamar Município de Pennapolis. O novo município possuia dois distritos: Penápolis e Miguel Calmon, hoje chamado Avanhandava.

Dentro do município de Penápolis, em 1914 é criado o distrito de paz de Birigui, em 1917 o de Araçatuba, em 1919, o de Promissão, em 1920, o de Glicério e em 1934, o de Alto Alegre.

A Câmara Municipal de Penápolis foi instalada em 11 de maio de 1914.

O município foi elevado à condição de comarca, em 10 de outubro de 1917, pela lei nº 1.557. A instalação da Comarca de Penápolis ocorreu a 27 de julho de 1918. Nos documentos anexados ao projeto de lei nº 3 que deu origem à lei que criou a comarca, há uma estatística que informa que em agosto de 1915, Penápolis contava com 2.549.826 pés de café produzindo, plantados por 287 proprietários.

Hoje, a Comarca de Penápolis abrange 7 municípios: Penápolis, Glicério, Braúna, Alto Alegre, Avanhandava, Luiziânia e Barbosa.

O território original do distrito de paz de Penápolis, estabelecido em 1909, era muito grande, partindo da atual Promissão e compreendendo grande parte das terras da Alta Paulista e indo até à barra do Córrego Três Irmãos, próximo à Barragem Três Irmãos, perto da foz do Rio Tietê no Rio Paraná. O Córrego Três irmãos era a divisa de Penápolis com o distrito de paz de Itapura.

As divisas de Penápolis estabelecidos na lei que criou o município, em 1913, compreendiam todas as terras que ficavam à margem esquerda do Rio Tietê, até sua foz no Rio Paraná assim determinados: A linha de divisa desce do Rio Tietê, próximo a atual cidade de Promissão, até o espigão entre o Rio do Peixe e o Rio Aguapeí (ou Feio), seguindo deste espigão até o Rio Paraná; do Rio Paraná, sobe até a foz do Rio Tietê, e deste ponto sobe o Rio Tietê até o ponto que iniciou a divisa.

Este território compreendia, portanto, a Alta Paulista e a região da Noroeste do Brasil. Este território, porém, foi muito reduzido com os seus sucessivos desmembramentos, a partir de 1921, em novos municípios. Foram desmembrados de Penápolis, os seguintes municípios: Araçatuba e Birigui em 1921, Promissão em 1923, Avanhandava e Glicério em 1925 e Alto Alegre em 1953.

Em 3 de agosto de 1926, data da Lei estadual 2.129 que fixou as divisas de Penápolis, o seu território já estava bastante reduzido, mas ainda se estendia até perto da atual Marília.

Até 1937, a comarca de Penápolis se estendia até Quintana e Tupã (que pertenceram a Glicério), na região da Alta Paulista.

 A Igreja Católica e os Capuchinhos

O município pertence à Diocese de Lins e seu padroeiro é São Francisco de Assis, sendo a Igreja Matriz de Penápolis servida, desde sua criação, pelos frades capuchinhos, os primeiros vindos da região de Trento na Itália.

Criada a paróquia em 1909 com o nome de “Curato do Santa Cruz do Avanhandava” , na época pertencente à Arquidiocese de Botucatu. Paróquia grande que foi desmembrada inúmeras vezes. O primeiro vigário da paróquia foi Frei Boaventura de Aldeno. Atualmente se denomina Paróquia de São Francisco de Assis pertencente à Diocese de Lins.

É considerada a fundação de Penápolis, a realização de uma primeira missa, em 25 de outubro de 1908, pelos frades capuchinhos da Igreja Católica, os quais, assim que chegaram a Penápolis fundaram uma Escola, a Escolinha de São Francisco, que foi a única da cidade até 1912, quando se instalou a primeira escola feminina e a primeira masculina, e em seguida em 1913, quando se inaugurou a Escola Mixta Municipal do Lageado. Pouco depois, a Escolinha se transformou em Colégio São Francisco.

 Penápolis de antigamente

O penapolense, vivendo o Centenário de sua cidade em 2008, não esquece as histórias de pioneiros. Muitos deles chegando de carro de boi de Uberaba, famílias inteiras buscando vida nova, com récem-casados e mães com crianças no colo (uma delas foi o futuro frei José Vaz de Melo, no colo de sua mãe Dona Bia), em viagens que duravam um mês.

Muitos recém chegados ficavam semanas na Pensão do Sr. Ventura ou em barracas no ‘Acampamento dos Pioneiros’ até se construir uma casinha no sítio, recém comprado, que ainda era puro mato. O Domingos Ventura depois se estabeleceu em Birigui.

Penápolis que já foi uma estação de trem e uma venda. As enormes perobeiras à beira dos ribeirões. A minúscula Companhia Paulista de Força e Luz do Avanhandava da década de 1920.

O sr. Tarcísio das Neves, da Livraria Católica, relembrando o seu pai, um pioneiro, carreteiro, que “puxava” sal e gêneros alimentícios em carro-de-boi entre Penápolis e Franca. Os pioneiros, recebendo em 1958, com muito orgulho, no Cinqüentenário de Penápolis, o título de cidadão honorário penapolense.

Penápolis não esquece a antiga Estação de Trem, o antigo Campo da Aviação, na vila Fátima, com seus “teco-tecos”, os “CAP-4 Paulistinha“, paraquedistas, a Esquadrilha da Fumaça com seus gloriosos aviões T-6, o saudoso Correio Aéreo Nacional com sua linha até o Paraguai. O Clube de Planadores de Penápolis. O Syndicato Condor decolando seus aviões Junkers alemães para o Mato Grosso.

Os passeios no Salto do Avanhandava que, nas palavras da Carmita Ahmad, o salto: “Serpenteia em meneios coleantes, em alvéo de pedras, rumoreja a caudal de espumas borbulhantes do Tietê em fina benfazeja”.. Os banhos e as pescarias no Ribeirão do Lageado. O Porto do Cruz e a Estrada velha do Lageado.

A dureza da política dos anos 1920 e o assassinato do Luís Osório da Fonseca. O dentista Domingos Vieira da Silva que atirou no tribunal do júri em 11 de fevereiro de 1930 matando um jurado, o português Manoel Pereira, ferindo outras três pessoas e sendo notícia no New York Times.

O assassinato do delegado Álvaro Martins Sevilha, em 1936, e a famosa pensão da viúva dona Astrogilda, dada pelo governo do estado. O cérebre Tenente Galinha, João Antônio de Oliveira, caçador de criminosos no sertão da Noroeste.

O crime mais bárbaro da história da região da noroeste, depois da pacificação do índios, ocorreu, em Penápolis, em 31 de março de 1926, quando foram decaptados por golpes de machado, a imigrante Fiyosi Kadotá e seus 4 filhos menores.

As ruas descalças e pacatas com apenas 30 automóveis em 1925, que já eram 350 em 1950.

Waldyr Ruffato Pereira e Irmã Anna de Mattos Castilho lutando, na década de 1970, para a reabertura do Colégio Educandário Coração de Maria.

A antiga Escola Mixta Municipal do Lageado do Professor Altino Araújo Vaz de Mello, fundada em 1913. As crianças recebendo o diploma do 1º Grupo Escolar. A primeira Escola Feminina Estadual de Penápolis da Professora Ismênia Aymbiré do Amaral Rocha, em 1912, época em que muitos professores se recusavam a irem para Penápolis por medo dos índios. Ela que foi a primeira professora diplomada de Penápolis.

A Carmita de Mello Ahmad, filha do Professor Altino, lendo todos os livros que apareciam na cidade e escrevendo suas poesias sobre Penápolis e sobre São Francisco de Assis e editando o jornal feminino “O Jasmim“. A Pepita Rodrigues, de porta em porta, vendendo tomate.

Os comícios do Doutor Adhemar Pereira de Barros em frente ao Mercado Municipal: -“Penapolenses de Penápolis“!, assim começava o velho Adhemar os seus discursos. Estadista Adhemar que, junto com o Lucas Nogueira Garcez, construiu a velha e saudosa Usina Hidrelétrica de Avanhandava e construiu as duas principais rodovias que cortam Penápolis: a SP-300 e a SP-425.

Em 1919, a grande festa na cidade, recebendo os mais importantes políticos da capital paulista que vieram fundar a Santa Casa de Misericórdia de Penápolis e instalar as Escolas Reunidas, que depois se tornariam o “1º Grupo Escolar de Penápolis”.

A dureza de se atravessar, a vau, com carroças e cavalos, o rio Tietê, feito este que só se conseguia em um único ponto mais estreito do rio, e após 1907, de balsa. A tão sonhada ponte do Tietê, ligando Penápolis a São José do Rio Preto, teve autorizada sua construção no tempo do saudoso governador Doutor Washington Luís, na década de 1920, e foi inaugurada em 1928, quando o governador Júlio Prestes visitou a região.

A Cora Coralina vendendo mudas de árvores para a cidade toda e sua Casa de Retalhos. Em uma época em que era raro ver uma mulher comerciante, Cora Coralina lutava, nas ruas e no jornalO Pennapolense” do professor Altino, pela instalação de uma Associação Comercial na cidade. Grande Professor Altino!, cuja família também foi pioneira na educação e no jornalismo em Uberaba no século XIX. O Pennapolense circulou de 1915 a 1939.

O Dr. Mário Sabino, político e médico, atendendo pobres e ricos com carinho. O lendário Quinca Monteiro com seu chapéu de aba larga e sua coleção de fazendas. As elegantes alunas voltando do Instituto de Educação com seus uniformes de camisa branca e saia azul-marinho com pregas.

O Luís Leme orgulhoso de seu antepassado Fernão Dias mas sempre reclamando que tiraram o “Leme” do Fernão Dias Pais Leme, e mostrando a todos, com orgulho, a espada ganhada pelo seu avô, do D. Pedro II, nos velhos tempos da Colônia Militar.

Penápolis teve uma das primeiras mulheres vereadoras do Brasil, logo depois de instituído o voto femimino em 1932, a vereadora Iracema Aymbiré de Camargo, eleita em 1936 pelo PRP.

A primeira casa de Penápolis, próxima a antiga estação de trem, casa toda de madeira, doada, pelo Coronel Manoel Bento da Cruz, aos frades Capuchinhos, da qual, uma antiga moradora, a poetiza Carmita Ahmad dizia:

“Casinha velha.. Você relembra A história de nosso passado Que não será esquecido e foi glorificado… Nos tempos primordiais, Seu teto abrigou nossos ancestrais… Você foi templo, escola e residência… A tradição sua forma conservou… É símbolo e foi berço. Onde originou a nossa civilização“.

Carmita Ahmad

O apito da locomotiva Baldwin Maria Fumaça. Os trens lotados de imigrantes rumando para sabe-se lá onde. O homem do trem, percorrendo os vagões da velha Noroeste do Brasil, gritando: -“Olha o sanduíche!, quem vai querer?!. E as longas viagens para São Paulo de 13 horas e meia de duração.

Estrada de Ferro Noroeste com seus vagões com muita poeira pois os seus trilhos foram colocados diretamente no solo, sem um suporte de pedras. O empedramento da linha férrea da Estrada de Ferro Noroeste foi feita somente em 1937.

As jardineiras (ônibus de antigamente), vagarosas e empoeiradas, chegando de São José do Rio Preto das empresas Bandeirante e Romero. As cinco saudosas empresas de ônibus de Penápolis: Martins, Garcia, Álvares, Pinheiro e Tonello.

O velho cemitério do tempo dos índios, atualmente abandonado, onde estão enterrados, em uma vala comum, os 11 pioneiros mortos, em 1886, pelos índios coroados e onde os penapolenses homenageavam os pioneiros.

Os pracinhas da FEB. A sósia de Elis Regina, Marilda Castilho. O “Cidade contra Cidade” e a “Miss Penápolis” no programa Sílvio Santos. Os bons tempos do time de futebol da cidade o “CAP“. O jornal semanal “Comarca de Penápolis” do Sr. Raul Forchero Casasco, que circulou por 40 anos (19371977).

O fazendeiro “tenente” Jerônimo Lopes Carriço, que doou, em 1928, o terreno onde foi foi construído o estádio municipal de Penápolis, o qual leva seu nome.

O tenente Carriço foi sogro do grande médico Dr. Renè Adolfo Fink, que de 1938 até 1960, contribuiu, com sua perícia médica adiquirida na então Faculdade de Medicina de São Paulo, com mais da metade dos partos realizados na cidade.

O Antônio Veronese doando o terreno, na década de 1950, para a construção da Casa Anjo da Guarda e lutando muito para a sua instalação. Em 1968, concretizado o sonho, o presidente Costa e Silva declara de utilidade pública a Associação Penapolense de Proteção à Infância “Anjo da Guarda”.

As 50 charretes de aluguel (táxi) e os amáveis charreteiros em frente à antiga Estação rodoviária, sendo que em 2005 restavam apenas duas charretes. A Maria 21 e seu papagaio. A Dona Maria Chica. A despedida concorrida e emocionada do Manoel Bento da Cruz. O leiteiro da carrocinha, deixando leite de casa em casa. O primeiro arranha-céu: O Edifício Adilha, sinal de progresso. A trágica morte, em 1968, do Dr. Ramalho Franco, de acidente.

Penápolis não esquece as disputas eleitorais entre o Nagib Sabino e o Edison João Geraissate. O prefeito Joaquim Veiga de Araújo, homem simples que construiu a praça Dr. Carlos Sampaio Filho, com suas próprias economias.

O caminhoneiro “Zé Preto” narrando as dificuldades e proezas das viagens de caminhão, na década de 1950, para o “Norte” (hoje se diz nordeste do Brasil). A Orquestra Penapolense na década de 1950 tocando no Clube Penapolense.

As visitas do Bispo de Lins que reuniam multidões. As irmãs e irmãos do Apostolado da Oração, primeira irmandade de Penápolis, criada em 1909, e da Venerável Ordem Terceira Franciscana Secular.

O Frei Thiago de Cavênide, rigoroso seguidor das normas de pobreza e sempre ao lado dos jovens, teólogo e mestre, e os capuchinhos de Trento.

Os frades pioneiros: Frei Bernardino de Lavalle que celebrou a primeira missa na fundação de Penápolis. Frei Boaventura de Aldeno, Frei Sigismundo de Canazei e o Frei José de Cassana com sua Escolinha São Francisco, escola pioneira, toda de madeira, na primeira casa de Penápolis. Frei Domingos de Riesi que dirigiu a construção da primeira igreja, do convento e da nova escola, já em 1909, e que seria inaugurada em 1913.

As festas do padroeiro São Francisco de Assis no Largo da Matriz. O engenho de açúcar artesanal. Os carros de boi levando toras de madeira para as serrarias e as carroças puxadas por burros levando café para a velha Estação de trem (que funcionou até1917) da velha Estrada de Ferro de Bahurú a Itapura.

Coisas e pessoas que fizeram de Penápolis um lugar muito amado e inesquecível.

Filhos e moradores ilustres

São filhos de Penápolis: 

– O Bispo da Igreja Armênia de São Paulo, Dom Vartan Waldir Boghossian; Walter Bernardes Nory, secretário de transportes do Governo Orestes Quércia; O cantor, compositor e arranjador Iso Fischer e seu irmão Tato Fischer (Carlos Eduardo Fischer Abramides) que é ator e diretor teatral; O Dr. Renè Adolfo Fink, grande médico de nossa cidade, até hoje lembrado por seus pacientes.

– O pintor com a boca e os pés Jadir Raymundo; A escultora Marly Salum; O compositor e cantor Francisco Gottardi (o Sulino), da dupla caipira “Sulino & Marrueiro”; O desenhista e ilustrador Rogério Vilela; A jogadora de basquetebol Suzete Gobbi, capitão da seleção brasileira feminina de basquete de 1973 a 1986. A família materna da atriz Giulia Gam é de Penápolis, onde Giulia é cidadã honorária. O pianista Silvano Reis. O músico Chiquinho Costa. A poetiza Rosemeire Soares de Sales e o poeta Albertinho Sertanejo.

– O sociólogo Luiz Eduardo Waldemarin Wanderley; A apresentadora e modelo Sabrina Sato Rahal, eleita a segunda mulher mais sexy do mundo pela revista vip em 2008; o modelo Bruno Ortiz que já fez parte de grandes agências internacionais como a Ford Models e a Major Agency; A jogadora de vôlei Jaqueline Bachiega Sipriano da Silva que tem grande destaque no vôlei nacional; O artista plástico José Maurício de Almeida (o Caxeta); O grafiteiro Edvaldo Luiz Alvares – (O Vado do Cachimbo). O nadador Thiago Teixeira Simon, campeão brasileiro dos 100 e 200 metros nado de costas na categoria júnior.

– O Euclides Marques, da dupla de Choro “Euclides e Luizinho 7 Cordas”. Nasceu em Penápolis em a 11 de dezembro de 1959, a escritora, contista e poetisa Vera Vilela, e o Deputado Federal por São Paulo, Marcelo Ortiz. O Sérgio Peli, armeiro, restaurador e desenhista de armas. O Fernando Chamarelli, artista plástico e ilustrador. Luiz Eduardo Cheida, deputado estadual no Paraná e que foi secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná. O ator Rafael Fier.

– O professor e diretor de escolas, Isanoel Martins Rodrigues, como: “EE. Dr. Carlos Sampaio Filho”; “EE. Adelino Peters” e entre outras mais da região. Após lecionar ocupou o cargo de Delegado de Ensino. O maestro Sílvio Augusto Bugiga. A decana do professorado paulista, Dirce Pereira da Silva, que, em 2003, foi homenageada pelo Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, como a professora que mais tempo permaneceu em sala de aula em toda a rede pública de ensino do Estado, de 1954 a 2004.

A atriz Pepita Rodrigues, espanhola, veio, na infância, para Penápolis. A poetisa Cora Coralina viveu vários anos em Penápolis. O Bispo aposentado da Diocese de Duque de Caxias e ex- coordenador do Programa Fome Zero, Dom Mauro Morelli, natural de Avanhandava, também morou em Penápolis. O jurista José Frederico Marques foi juiz substituto em Penápolis em 1938. A poetisa e historiadora Carmita de Mello Ahmad foi uma das pioneiras de Penápolis tendo residido na primeira casa de Penápolis. Atua em Penápolis um dos mais antigos advogados do Brasil, com quase 100 anos, Nello Salen, natural de Franca.

Não podemos nos esquecer também do admirável “Pé de Mola”; Antônio Rodrigues de Souza, o “B-12”, que, inclusive, foi candidato a vereador; Pio Gomes em suas “aparições” na Rádio Ativa FM, o “Caju” e a Velhinha da geléia, uma senhora já de avançada idade, magrinha, corpo franzino, empurrando seu carrinho de doces (-“Vai querer geléia? Hoje ela ‘tá com mais leite…”). Quando alguém perguntava se ela vendia fiado, fingia não ter ouvido e deixava o ambiente.