Archive for the ‘penápolis’ Category

estrada de ferro noroeste do brasil, construção

31/10/2008

Correia das Neves

R$ 150,00 
editora: Tipografia e Livraria do Brasi
ano: 1958
estante: Livros Raros
meta-estante: Livros Raros
peso: 800g
cadastrado em: quinta-feira, 30/10/2008. 17:29:30
descrição: As linhas da Noroeste, pode-se afirmar, foram construidas com com sangue, suor e lágrimas, sangue vertido pelos que tombaram durante as investidas traiçoeiras dos ferozes índios coroadps ou caingangs, suor vertido pelos que enfrentaram um trabalho árduo e penoso, sofrendo os efeitos das endemias, rompendo os osbstáculos que oferecia o terreno inóspito e desconhecido; Nesta obra está registraado tudo que foi construido de mais importante desde Bauru até o último quilometro.todo ilustrado com fotos, 150páginas, livro sem capa, somente com contra-capa.excelente documento.raro;

frei josé vaz de melo

28/10/2008

* Veríssimo-MG, 05.12.1911

    + Penápolis-SP, 29.12.1982

 
 

Frei José (Garibaldi Celso) era filho do professor e jornalista Altino de Araújo Vaz de Mello e Emília Monteiro Vaz de Mello. Nasceu em Veríssimo, Minas Gerais, aos 5 de dezembro de 1911. Foi batizado aos 13 de janeiro de 1912, em sua paróquia, igreja de São Miguel, pelo Padre André Blatzé, da Ordem Dominicana. Crismado em Penápolis, igreja São Francisco, a lº de junho de 1919. Fez os primeiros estudos no Colégio São Francisco de Penápolis, dirigido pelos frades. Vestiu o hábito de postulante aos 8 de fevereiro de 1930. Principiou o Noviciado em Taubaté, aos 12 de agosto de 1930, tendo como mestre Frei Ricardo de Denno. Votos simples aos 15 de agosto de 1931, perante Frei Domingos de Riese. Profissão solene em Botucatu, aos 19 de agosto de 1934, perante Frei Bernardo de Vezzano.

Batizado em Veríssimo, o menino Garibaldi chegou a Penápolis com sua família aos 25 de setembro de 1912, quando Penápolis ia comemorar o quarto ano de sua fundação, pois tal se dera a 25 de setembro de 1908. Seu pai era professor e jornalista, tendo fundado o jornal O VERÍSSIMO, naquela cidade mineira. A primeira casa em que moraram em Penápolis, foi a antiga casa de tábuas ainda conservada e que fora primeira escola, primeira igreja e primeira residência dos capuchinhos. Seu pai foi um dos primeiros professores em Penápolis, ou melhor, o primeiro, ainda quando os pequenos e poucos proprietários de terras moravam nas proximidades da antiga e primitiva capelinha do Senhor Bom Jesus dos Passos, hoje destruída. Exercia também o cargo de secretário da Câmara Municipal. Em Penápolis, deixou muitíssimos artigos no jornal O PENAPOLENSE, como podemos ler até hoje.

Em maio de 1923, Garibaldi Celso foi convidado a participar da União dos Moços Católicos. Frequentava a biblioteca da União, lendo romances e vidas de santos, de maneira especial as vidas de Santa Teresinha e de São Francisco de Assis. Fazia o Noviciado para entrar na Ordem Terceira Secular, quando foi convidado para ser frade capuchinho. Tendo já 18 anos e sofrendo de tracoma, acharam melhor encaminhá-lo para o estado de Irmão, embora ele sentisse atração para a vida sacerdotal também.

Acompanhado por Frei Angélico de Roseira, foi a São Paulo e lá na Imaculada Conceição foi recebido pelo Frei Tiago de Cavêdine, superior. Manifestado seu intento, Frei Liberato sugeriu a Frei Tiago enviasse o candidato para o seminário, e este responde: “Mais tarde”… e o mais tarde, nunca aconteceu. Assim relata Frei José:

“Eu sentia vocação para o sacerdócio e de vez em quando sonhava que estava celebrando Missa ou administrando os Sacramentos. Mas, por motivos íntimos, não insisti, consolando-me com o pensamento de Santa Teresinha: N. Senhor dará a recompensa aos que tiveram esse desejo, sem poder realizá-lo. Em compensação, alguns anos depois, no tempo de Frei Carlos, recebi a faculdade de administrar a SSma. Eucaristia aos fiéis. E a primeira pessoa que a recebeu de minhas mãos, foi minha mãe: aliás, a última comunhão que ela recebeu, fui eu quem lhe ministrou”.

Nos últimos anos os superiores facilitaram aos Irmãos os estudos para o sacerdócio. Embora com vontade de fazê-los, Frei José preferiu fazer apenas o Madureza, devido sua idade avançada.

Os que conhecemos Frei José testemunhamos sua vida de intenso trabalho; seu lema parecia ser: devagar e sempre. Com muita calma, sem pressa e com perseverança, dedicava-se aos mais diversos setores: carpintaria, eletricidade, marcenaria, obras de pedreiro… Homem de muito trabalho, era também homem de profundas e longas orações. Além dos horários normais, podíamos ver Frei José passar mais de horas em reflexão e meditação perante o Sacrário, após todos os trabalhos e canseiras do dia.

De seu pai herdou o gosto pelas artes gráficas, exercendo o ofício de tipógrafo por muitos anos, tanto em São Paulo como em Penápolis; aqui, confeccionando revistas e folhetos paroquiais; em São Paulo, trabalhando por muitos anos na composição de “Anais Franciscanos”.

Sempre teve especial carinho pela cidade que o viu crescer: Penápolis. Ali testemunhou o zelo e a operosidade dos capuchinhos e sempre recordava as passagens históricas que mais o impressionaram.

Com grande alegria e concurso de povo celebrou seu Jubileu de ouro de Vida Religiosa aos 16 de agosto de 1981, quando recebeu demonstrações de afeto e carinho de todos, embora sua saúde já não estivesse muito boa. Houve missa concelebrada, às 10 horas, presidida pelo Provincial F. Nicolau da Silva. Após a missa, almoço de confraternização. A Sociedade de Ecologia quis prestar-lhe homenagem, conferindo-lhe a Medalha, entregue pelo seu grande amigo dos tempos de juventude, professor e historiador de Penápolis, Fausto Ribeiro de Barros.

Constatada grave doença no estômago e intestinos, foi operado em São José do Rio Preto, aos 21 de outubro de 1982. Desde então, não se recuperou mais, definhando pouco a pouco, embora não sentisse dores. Aparentemente não demonstrava saber da gravidade do caso e até parecia ter esperanças de melhora. Em seu quarto, na Santa Casa de Penápolis, ainda participou de uma missa no dia de Natal. Quatro dias depois, a 29 de dezembro, pelas 12,30 horas, veio a falecer. No dia seguinte houve missa de corpo presente presidida por Frei Nicolau e pelo Sr.. Bispo Dom Luís Colussi. Concelebraram mais 19 sacerdotes da Província e das paróquias vizinhas. No sermão, Dom Luís salientou com profunda convicção e eloquência o sentido profundo da Vida Religiosa numa época de tanta corrida em busca de prestígios e grandezas humanas.

Como irmão, Frei José exerceu os seguintes cargos, nas residências em que viveu: sacristão, alfaiate, porteiro, linotipista e tipógrafo.

Residiu em São Paulo (1931); – Taubaté (1932); – Piracicaba e Botucatu (1933); – Taubaté (1935); São Paulo (1937); Mococa (dezembro 1938); São Paulo, a partir de dezembro 1942; Santos, a partir de novembro de 1943; Penápolis (fevereiro de 1944); São Paulo (1951); Penápolis (1952); Santos (1955); Penápolis (1956); Piracicaba (dezembro 1956); São Paulo (janeiro 1959); Birigüi (julho 1966); Penápolis, em 1967. Aí residiu até o fim de sua vida.

Como vemos, uma longa série de atividades Frei José desempenhou em nossas fraternidades, recolhendo bens que perduram para a eternidade e edificando a todos pela sua vida de religioso sério e laborioso, divertindo também seus irmãos e a criançada com as filmagens que realizava, documentando, em filmes mudos, os fatos ocorridos e as celebrações nas paróquias do interior, ou passando algum filme que conseguia emprestado, quando, muitas vezes, os “rolos” despencavam e saíam correndo pelas salas de projeção ou as fitas se rompiam pela enésima vez, mais cansando que distraindo.

Mas, por trás de tudo, a bondade e a dedicação de Frei José.

(Cf. também R.V. 86 – dezembro 1982, p. 146). – AOMC, 99,184).