Archive for the ‘fora pt’ Category

Conheça o empresário milionário que promove o comunismo no Jornal dele – Ele acredita que os comunistas serão gratos a ele quando tomarem o poder

19/08/2018

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Super salário mínimo da Venezuela não vale nada – Dinheiro é um pedaço de papel – Não é riqueza

19/08/2018

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Critério de escolha de soldadas no exército coreano do norte é a beleza das pernas.

Nenhuma feminista reclama

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Conheça todos os candidatos do Brasil

17/08/2018

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“”Jair Bolsonaro poderá ganhar no primeiro turno por ter retirado de Marina Silva o voto dos evangélicos indecisos nos rincões do Brasil.

Lá no interior ninguém cai nessa lorota de salário igual saindo da boca de quem quer plebiscito para triturar criancinhas no ventre da mãe.””‘

Sem medo de ser feliz – Garotinho se declara da raça branca

17/08/2018

Porém a notícia que não pode participar de debate por ser de menor é fake.

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Ninguém tem coragem de mexer com o General Mourão – Inocentado – Direito de Falar o que quiser – Não pode ser punido quem quer tirar o Brasil do buraco

17/08/2018

“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso. (…) Os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil, trará problemas, podem ter certeza disso aí”, disse Mourão na época.

Na investigação, foram ouvidos Mourão, Exército e Ministério da Defesa.

“Diante das informações prestadas e da atipicidade da conduta do general, não se constata neste momento fundamento para a propositura de ação penal pública”, concluiu Marx.

“O conteúdo das manifestações, embora sugerisse a possibilidade de intervenção militar, não teve caráter de propaganda em público e não objetivou incitar terceiros ao cometimento de processos ilegais de alteração da ordem política.

A palestra é forma de livre manifestação de pensamento, assegurada na Constituição.”

Não houve ilícitos nem na área criminal nem na cível, de acordo com o MPF-DF.

“Não constitui a referida manifestação propaganda em público de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social, nem tem intuito de subversão da ordem política ou social ou de trazer animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis”, afirmou o procurador.

E agora Esquerda – E agora Direitos Humanos?

16/08/2018

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Mamãe eu não quero ser prefeito pode ser que eu seja eleito e alguém querer me assassinar – 4 anos de Eduardo Campos e agora teve esta do Maduro

09/08/2018

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General Mourão não tem medo da patrulha politicamente correta – Faça o mesmo – Deixe de covardia e ataque em todas as frentes o politicamente correto

07/08/2018

Na ocasião, Mourão falava sobre o subdesenvolvimento e o panorama de conflitos da América Latina – “condomínio de países periféricos”, na opinião do general. Quando fez referência à “malandragem” dos africanos, diz o texto de Paula Sperb, apressou-se em se desculpar com o vereador Edson da Rosa (MDB), que é negro e compunha a mesa de autoridades.

“E o nosso Brasil? Já citei nosso porte estratégico. Mas tem uma dificuldade para transformar isso em poder. Ainda existe o famoso ‘complexo de vira-lata’ aqui no nosso país, infelizmente. Nós temos que superar isso. Está aí essa crise política, econômica e psicossocial. Temos uma herança cultural, uma herança em que tem muita gente que gosta do privilégio. Mas existe uma tendência do camarada querer aquele privilégio para ele. Não pode ser assim. Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa, nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”, declarou o general.

É Ele – O Vice do Mito – GENERAL MOURÃO PATRIOTA INTERVENCIONISTA

05/08/2018

Deu palestra dizendo que se comunismo não acabar no Brasil os militares voltam.

Ministro da Defesa que é comunista não teve coragem de repreender  ou pedir explicação.

Congresso Nacional  não teve coragem para convocá-lo para explicações.

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Empregados do Roberto Marinho fazendo selfie com o mito – Não tem preço – São obrigados a mentir na frente das câmaras para preservarem o emprego

04/08/2018

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Bolsonaro no Roda Viva de comunistas 5.550.000 visualizações

04/08/2018

 

Está perdendo a discussão? – Grite: Racista, homofóbico, fascista, nazista, filhinho de papai, moralista, xenófobo, islamofóbico, machista e reacionário. Você silenciará a oposição, permitindo que você comemore a vitória na discussão.

O aborto pode não só deixar de ser crime mas nunca inversão de valores total passar a ser DIREITO

04/08/2018

E então quer for contra passa a estar CONTRA UM DIREITO.

E SER CONTRA DIREITO é o pior dos mundos, fica isolado, perseguido, perde o emprego e vai para a cadeia.

Final constrangedor para a Globo.

Mesmo que o Bolsonaro tivesse sido surrado no restante da entrevista (o que não ocorreu), esse final foi a sua vitória por Ippon.

Botou a Globo pra se explicar. E de maneira tosca e improvisada. Nunca vi algo tão constrangedor.

 

A Propraganda antes do maldito politicamente correto

03/08/2018

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Acredite se quiser

03/08/2018

 

6 do MST em greve de fome – força gente não desistam

01/08/2018

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Folha de S. Paulo sempre induzindo ódio contra os homens: “Câncer de mama é culpa dos homens” – tenha paciência

01/08/2018

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O dia da vergonha do jornalismo Brasileiro: ex-guerrilheiro, militantes e desarmamentistas tentaram “fuzilar” Bolsonaro

31/07/2018

Não tem preço ver o pessoal zoando à farta dos jornalistas penas alugadas dos comunistas que entrevistaram huahuahuahua….

Roda Viva! – Jair Bolsonaro: “Nós cansamos da esquerda. Queremos um Brasil liberal que faça comércio com o mundo todo sem o viés ideológico, que respeite a família”

Tradui

Roda Viva cai nas mãos de ex-guerrilheiro do MR-8

Roda Viva é o retrato de um jornalismo que destruiu o Brasil

Bolsonaro Presidente, a comunada pira!!!!!! kkkk

Mais uma vez (terceira na semana), Bolsonaro no topo dos trending topics de nível mundial com

Esta entrevista de Bolsonaro aos psicopatas da TV Cultura revela de forma nua e crua que o establishment realmente está desesperado. Seus serviçais são os jornalistas da grande mídia. Estão enlouquecidos. Vão ter um troço…rsrsrs…

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Roda Viva com Jair Bolsonaro, possivelmente, teve a maior audiência de sua história

O festival de esquerdopatia nessa entrevista da TV Cultura serve para corroborar tudo que tenho dito a respeito da canalha jornalística. Estou no jornalismo há quase 50 anos e os conheço muito bem. São rematados idiotas.

 

Bando de comunistas do centrão do FHC perdeu a vergonha na cara. Isso não é jornalismo, mas militância política de esquerda. Merda pura. Essa entrevista c/ Bolsonaro na TV Cultura é uma piada. O jornalismo a soldo está preocupado em detonar apenas em detornar Bolsonaro. LIXO

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PARTIDOS COMUNISTAS FAZEM CÚPULA EM BRASÍLIA-DF

Dirigentes do PT, PC do B, PSB, PDT e PSOL vão se encontrar hoje à tarde em Brasília para tratar da sucessão presidencial.

em pauta
.
sexo anal sem dor
liberação só da maconha?
a afirmação da mulher como entidade revolucionaria transcendental
beijar menino não te faz gay
mula de cocaina é vitima da sociedade?
fim das armas de fogo na policia só não letais
Apoio a democracia Venezuelana
AUMENTAR A PRESENÇA NAS ESCOLAS

Este é qual dos genocídios comunistas?

30/07/2018

NOME DE VITIMAS

LISTA IMENSA

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PROPAGANDA DE MUTILAÇÃO DE GENITAIS DA CULTURA ISLÂMICA

TODA CULTURA TEM QUE SER RESPEITADA E PERMITIDA LIVREMENTE

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VIDEO DO FACE BOOK DEMORA PRA ABRIR ,, AGUENTA AI.

 

 

DENUNCIANDO O COMUNISMO DO FORO DE SÃO PAULO  PT CUBA VENEZUELA

 

 

 

Não tenham filhos – Olha o que professores petistas fazem com crianças

29/07/2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ESTUPRO INTELECTUAL DA INFÂNCIA

ISSO OS DIREITOS HUMANOS GOSTAM

 

Democrata é igual a camarão, tem merda na cabeça

28/07/2018

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O PAPA DOS DITADORES ATEUS

O PAPA DOS DITADORES ATEUS


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“”Especialistas””” comunistas previram que Governo Trump seria um desastre

28/07/2018

 

 

 

 

 

 

 

27/07/2018

Como se escreve comunista em inglês? Porque todo comunista morre com mais de noventa anos? – Veja a lixaiada que morreu em julho 2018

27/07/2018

Paul Ott Carruth, 83, American singer-songwriter and conservationist, cancer.

Essa era bebe femem Oksana Shachko, 31, Ukrainian artist and human rights activist, co-founder of Femen, suspected suicide.

Hatidža Mehmedović, 64, Bosnian human rights activist, leader of the Mothers of Srebrenica.[83]

Harold Covington, 64, American political activist.[93]

Mitsuo Matayoshi, 74, Japanese political activist.[116]

Charles Koen, 73, American civil rights activist.[122]

Carlos Aldunate Lyon, 102, Chilean Jesuit priest, master of novices (Pope Francis) and writer.[139] COMKUNA DO MES

Abbas Amir-Entezam, 86, Iranian politician and convicted spy, Deputy Prime Minister (1979).[228]

Marco Aurelio Denegri, 80, Peruvian linguist, intellectual and sexologist.[1]

Adem Demaçi, 82, Kosovar political activist.[11]

Sha Yexin, 79, Chinese playwright and political activist.[17]
apanese convicted murderers from the Aum Shinrikyo cult, executed by hanging.[20]
Satoro Hashimoto, participant in Sakamoto family murder.
Yasuo Hayashi, participant in Tokyo subway sarin attack.
Kenichi Hirose, participant in Tokyo subway sarin attack.
Kazuaki Okazaki, participant in Sakamoto family murder.
Toru Toyoda, participant in Tokyo subway sarin attack.
Masato Yokoyama, participant in Tokyo subway sarin attack.

Corinne Gallant, 96, Canadian academic and feminist, professor emeritus (Université de Moncton).[27]

Corinne Gallant, 96, Canadian feminist philosopher.[47]

Elbert Howard, 80, American civil rights activist, co-founder of the Black Panther Party.[64]

Ye Lwin, 70, Burmese guitarist and peace activist, liver cancer.[295]
Melanie Kaye/Kantrowitz, 73, American poet and activist, Parkinson’s disease.[303]
Japanese convicted murderers from the Aum Shinrikyo cult, executed by hanging.[367]
Shoko Asahara, 63, leader.
Seiichi Endo, 58.
Kiyohide Hayakawa, 68.
Yoshihiro Inoue, 48.
Tomomasa Nakagawa (ja), 55, participant in Sakamoto family murder.
Tomomitsu Niimi, 54.
Masami Tsuchiya (ja), 53, chemist for Tokyo subway sarin attack.


E o Rodrigo Constantino postou que bandido bom é bandido preso.

O cara não sabe que na cadeia tá seguro e continua mandando roubar e matar?

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Imagine o empresário encontrar no pátio da sua fábrica quem um dia o assaltou ou violentou sua filha? Quando teremos um presidente preocupado com as pessoas honestas? Os que concordam com isso poderiam, como exemplo, empregar em sua própria casa

25/07/2018

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BRASIL AINDA VAI TER RODOVIA ASSIM

Um dos “””suspeitos””” da morte da mulata Marielle é um homem de cor, não vai dar para os Direitos dos Manos vitimizar, acusar brancos de racismo

25/07/2018

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URNAS ELETRÔNICAS SÃO SEGURAS

24/07/2018

Toda pessoa que defende liberdade de expressão, quando escreve algo, é para atacar e censurar os outros. Todos todos são assim. Eles querem a liberdade de expressão, não para amar, mas sim, para matar.

24/07/2018

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6 anos do assassino do líder da oposição à tirania de Cuba Comunista – Oswaldo Paya

23/07/2018

Hace 6años los Castro asesinaron a mi padre, junto a él, también a Hoy nos reunimos para honrar sus vidas y agradecer el tiempo que estuvieron con nosotros

 

Hoy sus asesinos ya saben que no habrá impunidad y que fracasaron porque no pudieron matar su legado

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PAÍS DE MERDA

22/07/2018

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CATÓLICO EM ANO DE ELEIÇÃO

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PODE NÃO GANHAR MAS É FOFURA

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DOUTOR BUM BUM

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Para Jeca Tatu, o Piraquara do Rio Paraíba do Sul, “o ato mais importante da sua vida é votar no governo”.

20/07/2018

Senhores : Conheceis, porventura, o Jeca Tatu, dos Urupês, de Monteiro Lobato, o admirável escritor paulista?

Tivestes, algum dia, ocasião de ver surgir, debaixo desse pincel de uma arte rara, na sua rudeza, aquele tipo de uma raça, que, “entre as formadoras da nossa nacionalidade”, se perpetua, “a vegetar, de cócoras, incapaz de evolução e impenetrável ao progresso”?

 
JECA TATU Solta Pedro I o grito do Ipiranga. E o caboclo, em cócoras. Vem, com o 13 de maio, a libertação dos escravos; e o caboclo, de cócoras. Derriba o 15 de novembro um trono, erguendo uma república; e o caboclo, acocorado.

 

 

No cenário da revolta, entre Floriano. Custódio e Gumercindo, se joga a sorte do país, esmagado quatro anos por Incitatus; e o caboclo, ainda com os joelhos à boca. A cada um desses baques, a cada um desses estrondos, soergue o torso, espia, coca a cabeça, “magina”, mas volve à modorra e não dá pelo resto.

 

 
De pé, não é gente. A não ser assentado sobre os calcanhares, não desemperra a língua, “nem há de dizer coisa com coisa”. A sua biboca de sapé faz rir aos bichos de toca. Por cama, “uma esteira espipada”.

 

 

Roupa, a do corpo. Mantimentos, os que junta aos cantos da sórdida arribana. O luxo do toucinho, pendente de um gancho, à cumeeira. À parede, a pica-pau, o polvarinho de chifre, o rabo de tatu e, em para raio, as palmas bentas.

 

Se a cabana racha, está de “janelinhas abertas para o resto da vida”. Quando o colmo do teto, aluído pelo tempo, escorre para dentro a chuva, não se veda o rombo; basta aparar-lhe a água num gamelo.

 

Desaprumando-se os barrotes da casa, um santo de mascate, grudado à parede, lhe vale de contraforte. embora, quando ronca a trovoada, não deixe o dono de se julgar mais em seguro no ôco de uma árvore vizinha.
O mato vem beirar com o terreirinho nu da palhoça.

Nem flores, nem frutas, nem legumes. Da terra, só a mandioca, o milho e a cana. Porque não exige cultura, nem colheita. A mandioca “sem-vergonha” não teme formiga. A cana dá a rapadura, dá a garapa, e açucara, de um rolete espremido a pulso, a cuia do café.

 
Para Jeca Tatu, “o ato mais importante da sua vida é votar no governo”. “Vota. Não sabe em quem. Mas vota.”

 

 

“Jeca por dentro rivaliza com Jeca por fora.

O mobiliário cerebral vale o do casebre”. Não tem sentimento da pátria, nem, sequer, a noção do país. De “guerra, defesa nacional, ou governo”, tudo quanto sabe se reduz ao pavor do recrutamento. Mas, para todas as doenças, dispõe de mezinhas prodigiosas como as ideias dos nossos estadistas. Não há bronquite. que resista ao cuspir do doente na boca de um peixe, solto, em seguida, água abaixo.

 

 

Para brotoeja, cozimento de beiço de pote.
Dor de peito? “O porrete é jasmim de cachorro.” Parto difícil? Engula a cachopa três caroços de feijão mouro, e “vista no avesso a camisa do marido”.

 
Um fatalismo cego o acorrenta à inércia. Nem um laivo de imaginação, ou o mais longínquo rudimento de arte, na sua imbecilidade. Mazorra e soturna, apenas rouqueja lugubres toadas: ‘Triste como o curiango, nem sequer assobia.”

 

No meio da natureza brasileira, das suas catadupas de vida, sons e colorido, “é o sombrio urupê de pau podre, a modorrar silencioso no recesso das grotas.

 

Não fala, não canta, não ri, não ama, não vive”.

 
Não sei bem, senhores, se, no tracejar deste quadro, teve o autor só em mente debuxar o piraquara do Paraíba e a degenerescência inata da sua raça.

Mas a impressão do leitor é que. neste símbolo de preguiça e fatalismo, de sonolência e imprevisão, de esterilidade e tristeza, de subserviência e hebetamento. o gênio do artista, refletindo alguma coisa do seu meio, nos pincelou, consciente, ou inconscientemente, a síntese da concepção que têm da nossa nacionalidade os homens que a exploram.

Primeiro passo para tornar crime defender o comunismo

20/07/2018

MPF pretende identificar entidades de ensino federais em Goiás que homenageiam autores de violação de direitos humanos

Instituições deverão informar a existência de homenagens a responsáveis por violações de direitos humanos, nacionais ou estrangeiros, vinculados a qualquer regime político-ideológico ou ditatorial

13 DE JULHO DE 2018

O Ministério Público Federal (MPF) em Goiás instaurou, nesta quinta-feira (12), Procedimentos Preparatórios (PP) para apurar se universidades e institutos federais no estado, quais sejam, Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e Instituto Federal de Goiás (IFG), concederam homenagens a autor de graves violações de direitos humanos, nacional ou estrangeiro, vinculado a qualquer regime político-ideológico ou ditatorial.

De acordo com o procurador da República Ailton Benedito de Souza, os procedimentos basearam-se em Notícia de Fato instaurada a partir de informações veiculadas pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), que solicitou informações a mais de cem instituições públicas de ensino superior, nas 27 Unidades da Federação, sobre a existência de homenagens concedidas a quaisquer dos 377 autores de graves violações de direitos humanos praticados durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985, já identificados no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.

Aílton Benedito entende que, em relação à UFG, ao IF Goiano e ao IFG, cabe ao MPF em Goiás a atribuição de iniciar a respectiva apuração. Assim, instaurou PP para cada um deles no intuito de prosseguir na investigação. Além disso, estendeu o seu objeto para abranger não só a identificação de homenagens concedidas aos autores de graves violações de direitos humanos praticados durante a ditadura, mas também em relação àqueles, nacionais ou estrangeiros, vinculados a qualquer regime político-ideológico ou ditatorial.

Como primeira medida, o MPF oficiará às três instituições de ensino para que forneçam, no prazo de 30 dias, informações que apontem a existência de títulos honoríficos, nomes de prédios, salas, espaços, ruas, praças ou logradouros dos respectivos campi que façam alusão a essas pessoas, inclusive quanto aos seguintes nomes: Adolf Hitler, Kim II-Sung, Muammar al-Gaddafi, Francisco Franco, Augusto Pinochet, Josef Stalin, Kim Jong-Il, Slobodan Milosevic, Omar al-Bashir, Mao Tsé-Tung, Vladimir Lenin, Robert Mugabe, Benito Mussolini, Saddam Hussein, Pol Pot, Getúlio Vargas, Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Raul Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Para mais informações, clique aqui e leia a íntegra do Despacho do procurador Ailton Benedito que determinou a instauração dos procedimentos.

Criado o Estado Nação Judaico – É o Terceiro Reino de Israel

19/07/2018

https://www.jpost.com/Israel-News/Read-the-full-Jewish-Nation-State-Law-562923

READ THE FULL JEWISH NATION-STATE LAW

The law passed a final vote in the Knesset overnight Wednesday.

BY JPOST.COM STAFF
JULY 19, 2018 12:05

2 minute read.
MKs voting in favor of the Pay for Slay bill Wednesday at the Knesset Foreign Affairs and Defense Co

MKs voting in favor of the Pay for Slay bill Wednesday at the Knesset Foreign Affairs and Defense Committee June 27, 2018. (photo credit: COURTESY AVI DICHTER’S OFFICE)

The following is the complete text of the Jewish Nation-State Law, which passed a final vote in the Knesset overnight Wednesday, with links to The Jerusalem Post reporting on the discussions about its various elements.
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Basic Law: Israel – The nation state of the Jewish people

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1.  The State of Israel
a) Israel is the historical homeland of the Jewish people in which the state of Israel was established.
b) The state of Israel is the nation-state of the Jewish people, in which it actualizes its natural, religious, and historical right for self-determination.
c) The actualization of the right of national self-determination in the state of Israel is unique to the Jewish people.

2.  National symbols of the State of Israel
a) The name of the state is Israel.
b) The flag of the state is white, two blue stripes near the edges, and a blue Star of David in the center.
c) The symbol of the state is the Menorah with seven branches, olive leaves on each side, and the word Israel at the bottom.
d) The national anthem of the state is “Hatikvah”
e) [Further] details concerning the issue of state symbols will be determined by law.

3. [The] unified and complete [city of] Jerusalem is the capital of Israel.

4. The Language of the State of Israel
a) Hebrew is the language of the state.
b) The Arabic language has a special status in the state; the regulation of the Arab language in state institutions or when facing them will be regulated by law.
c) This clause does not change the statues given to the Arabic language before the basic law was created.

5. The state will be open to Jewish immigration and to the gathering of the exiled.

6. The Diaspora
a) The state will labor to ensure the safety of sons of the Jewish people and its citizens who are in trouble and captivity due to their Jewishness or their citizenship.
b) The state will act to preserve the cultural, historical and religious legacy of the Jewish people among the Jewish diaspora.

7. The state views Jewish settlement as a national value and will labor to encourage and promote its establishment and development.

8. The Hebrew calendar is the official calendar of the state and alongside it the secular calendar will serve as an official calendar. The usage of the Hebrew calendar and of the secular calendar will be determined by law.

9. National Holidays
a) Independence Day is the official holiday of the state.
b) The Memorial Day for those who fell in the wars of Israel and the Memorial Day for the Holocaust and heroism are official memorial days of the state.

10. Saturday and the Jewish Holidays are the official days of rest in the state. Those who are not Jewish have the right to honor their days of rest and their holidays. Details concerning these matters will be determined by law.

11. This Basic Law may not be altered except by a Basic Law that gained the approval of the majority of the Knesset members.

China pune corruptos e lá está infestado deles

19/07/2018

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O INCRÍVEL O BIZARRO O INESPERADO

24 anos do Genocídio de judeus argentinos

18/07/2018

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Vida de Gado

18/07/2018

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NA VERDADE, A FIFA SE INCOMODOU COM A QUANTIDADE DE BRANCAS NA TELINHA

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EUROPA HOJE

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Está perdendo a discussão?

– Grite: Racista, homofóbico, fascista, nazista, filhinho de papai, moralista, xenófobo, islamofóbico, machista e reacionário.

Você silenciará a oposição, permitindo que você comemore a vitória na discussão.

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DESARMAMENTO SÓ PARA OS OUTROS

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O QUE O POLITICAMENTE CORRETO FAZ COM VOCÊ

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QUEM É O ANTI-LULA?

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AS ESCRAVAS DA MODA VESTEM ISTO

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MAIS LIVROS, MENOS ARMAS

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A PRIMEIRA DAMA COREANA DO NORTE É LINDA

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Há 100 anos, os comunistas exterminavam a Família Romanov – O Tzar a Tzarina (prima do Rei da Inglaterra e neta da Rainha Vitória) e suas crianças e mais parentes – Noite de 16 para 17 de julho de 1918

15/07/2018

17

Murdered on this night 100 years ago, his daughters raped and killed before him – by people with us still. (reminded by M. Rafael)

Quem foram os Romanov assassinados pelos comunistas?

  • Mikhail Alexandrovich, filho mais novo de Alexandre III e irmão do czar;
  • Nicolau II, antigo czar de toda a Rússia;
  • Alexandra Fyodorovna (nascida princesa Alexandra de Hesse-Darmstadt), czarina;
  • Os cinco filhos de Nicolau e Alexandra: Olga (22 anos), Tatiana (21 anos), Maria (19 anos), Anastácia (17 anos) e Alexei (13 anos), herdeiro do trono e hemofílico (doença herdada da família do lado materno);
  • Isabel Fyodorovna (nascida Isabel de Hesse-Darmstadt), abadessa e irmã mais velha da czarina;
  • Sergei Mikhailovich, primo direito de Alexandre III, pai de Nicolau;
  • Vladimir Paley, filho de Pavel Alexandrovich, filho mais novo de Alexandre II, avô de Nicolau;
  • Três filhos de Konstantin Konstantinovich, neto de Nicolau I: Konstantin, Igor e Ioann;
  • Nicolau Mikhailovich, primo direito de Alexandre III;
  • Georgii Mikhailovich, irmão deste;
  • Dimitri Konstantinovich, outro filho de Konstantin Konstantinovich;
  • Pavel Alexandrovich, tio de Nicolau.

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Na madrugada de 17 de julho, um grupo de homens escolhidos a dedo matou Nicolau II e a família real russa. Cem anos depois, a sombra do crime violento, aprovado por Lenine, ainda paira sobre a Rússia.

 

Yakov Yurovski estava nervoso. Filipp Goloshchyokin tinha-lhe dito que o camião chegaria por volta da meia-noite, altura em que seria transmitida a ordem de execução. Já passava da uma da manhã e ainda não tinha chegado qualquer informação da parte do Comité Executivo do Soviete Regional dos Urais, responsável pela decisão final. Cada vez mais tenso, Yurovski foi aguardando.

 

Os seus homens, armados até aos dentes, esperavam no seu gabinete na Casa Ipatiev desde as onze da noite. Finalmente, à 1h30, um camarada do partido dirigiu-se ao guarda de serviço e passou-lhe a mensagem há muito esperada: “limpa-chaminés”. Yurovski podia entrar em ação.

Por volta das três da manhã, todos os ocupantes da Casa Ipatiev estavam mortos. Nicolau, ex-czar de toda a Rússia, a mulher, os cinco filhos e os empregados que tinham percorrido com eles metade do país, foram brutalmente assassinados na adega da moradia de dois andares que, antes de o Exército Vermelho tomar conta de Ecaterimburgo, tinha pertencido a um engenheiro de minas abastado.

 

Depois de assassinados, os cadáveres dos Romanov foram transportados dentro da carrinha Fiat até a um bosque, desfigurados com ácido sulfúrico e enterrados em duas valas com poucos centímetros de profundidade, abertas no meio de uma estrada. Depois de aplanada a terra, com a ajuda do camião, Yurovski e os seus homens fizeram um voto de silêncio: a noite de 16 para 17 de julho de 1918 nunca tinha acontecido.

Oficialmente, Moscovo nunca deu qualquer explicação para o desaparecimento da família real, em prisão domiciliária desde a abdicação de Nicolau II, em 1917. Com a perseguição e morte dos restantes Romanov e a complicada situação política que se vivia no país desde a Revolução de Fevereiro (dificultada pela Revolução de Outubro), o caso acabou por cair no esquecimento.

 

Havia coisas mais importantes a acontecer. Foi só com a queda da União Soviética, no início dos anos 90, que a tragédia dos Romanov começou a emergir. A descoberta dos restos mortais de Nicolau e da família foi um primeiro passo importante no encerramento de um dos capítulos mais negros da história da Rússia. Mas há ainda dois corpos por sepultar e, enquanto isso não acontecer, os descendentes da família real russa não podem ter descanso.

O fim da dinastia

Para compreender como é que os Romanov foram executados numa adega em Ecaterimburgo é preciso recuar no tempo, ao início do reinado de Nicolau II e ao surgimento dos primeiras revoltas populares. Um governante obstinado e duro, o filho de Alexandre III procurou sempre impedir uma mudança no poder estabelecido, lutando com todas as suas forças contra o instituição de uma monarquia constitucional na Rússia.

 

Não queria perder o poder que lhe tinha sido concedido por Deus e herdado do pai. Quando permitiu a criação da Duma, a assembleia legislativa, em 1905, fê-lo contrariado. Daí para a frente, procurou sempre dificultar o trabalho dos deputados e ministros, que trocava como uma facilidade impressionante e dos quais desconfiava constantemente. Autocrata convicto, “extremista nacionalista” e “nostálgico iludido”, para recorrer às palavras do historiador britânico Robert Service, Nicolau manteve-se sempre fiel às suas próprias ideias e ao seu conceito antiquado de Rússia, mesmo perante as situações mais complicadas.

Apontar o dedo a Rasputin, que pouco mais fazia do que apoiar as ideias do czar, ou a Alexandra, a esposa histérica que gostava tanto de opinar sobre os assuntos do Estado, é mera ingenuidade. As ações de Nicolau “eram as de um governante que se julgava sempre certo”, como escreveu Service no livro O Último dos Czares — Nicolau II e a Revolução Russa, que percorre o último ano de vida do imperador. “Tinha a certeza de que a direção em que estava a levar a Rússia era a certa.

 

Tinha uma autoconfiança que os seus ministros nunca perceberam completamente”, disse o autor durante uma entrevista concedida ao Observador a propósito do lançamento do seu livro em português, pela editora Desassossego, em 2017. Foi Nicolau que se condenou a ele próprio.

“Tinha a certeza de que a direção em que estava a levar a Rússia era a certa. Tinha uma autoconfiança que os seus ministros nunca perceberam completamente.”
Robert Service, autor de “O Último dos Czares”

Isso tornou-se claro em 1917, quando a revolução fez cair a antiga São Petersburgo, que então se chamava Petrogrado porque era um nome “menos alemão”. Nicolau, que tinha assumido o comando do exército russo na Primeira Guerra Mundial, estava longe da capital, em Mogilev (na atual Bielorrússia), na Frente Oriental, quando, a 23 de fevereiro, a população, descontente com o racionamento de comida, saiu às ruas para se manifestar contra o czar e contra o governo. Os protestos violentos duraram dias. A 27 de fevereiro, as tropas imperiais renderam-se depois de um tiroteio. A capital caiu perante a revolução.

 

Os membros da Duma, que queriam preservar a monarquia, tentaram chegar a um acordo com os revolucionários. A ideia era formar um Governo Provisório e garantir a abdicação de Nicolau a favor do filho, Alexei, com 12 anos. O príncipe Georgy Lvov seria o primeiro-ministro e o deputado Aleksandr Kerensky o ministro da Justiça.

Os ministros contavam com alguma resistência da parte do czar, mas esperavam que Nicolau acabasse por perceber a gravidade da situação. Não tinha escolha: tinha de abdicar. A cedência do poder ao pequeno Alexei deveria facilitar a decisão, mas a escolha que Nicolau acabou por fazer depois de lhe exporem o caso surpreendeu toda a gente: o czar concordou em deixar o trono, mas não quis que este passasse para o filho. Alexei tinha hemofilia (uma doença crónica que afeta o mecanismo de coagulação do sangue nos homens), que tinha herdado do lado da mãe. Alexandra Fyodorovna (nascida princesa Alexandra de Hesse-Darmstadt) era neta da rainha Vitória que, através dos seus nove filhos, transmitiu a doença “à comunidade de primos da Europa”, explicou Simon Sebag Montefiore, autor de um livro sobre a história da dinastia Romanov (editado em Portugal pela Presença).

 

Um dos filhos da governante, Leopold, duque de Albany, um dos irmãos de Alexandra, Friedrich, e um dos filhos da sua irmã Irene também tinham morrido por causa da hemofilia.

Nicolau e Alexandra sempre tentaram esconder a doença de Alexei de tudo e de todos, incluindo da própria família. Em 1917, isso já não interessava. No documento de abdicação, Nicolau foi o mais sincero possível: disse que não queria ser afastado do filho e que, por essa razão, passava a sucessão ao irmão, o grão-duque Mikhail Alexandrovich Romanov, abençoando-o. Misha, como era conhecido entre amigos e familiares, estava em Petrogrado quando os membros da Duma lhe bateram à porta para o informar de que era o novo imperador de toda a Rússia. Apanhado de surpresa, o irmão mais novo de Nicolau iniciou negociações. Passado um dia, tomou uma decisão: abdicar. A monarquia russa caiu.

A 7 de março de 1917, quando Nicolau ainda estava na Frente Oriental, o Governo Provisório ordenou a sua colocação sob guarda e o seu envio para Tsarskoe Selo, a residência imperial nos arredores de Petrogrado de que a família gostava tanto. Partiu no dia seguinte para se juntar a Alexandra e aos filhos no Palácio de Alexandre. Nunca mais voltou a estar em liberdade e a Rússia nunca mais foi a mesma.

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Um novo cativeiro

Em Tsarskoe Selo, os dias iam passando, uns iguais aos outros. Na capital tudo era diferente: “Choveu durante toda a manhã, mas o tempo abriu antes das 14h; arrefeceu para a noite. Passei o dia como habitualmente. Em Petrogrado têm havido momentos de distúrbios, com disparos. Ontem chegaram bastantes marinheiros e soldados de Kronstadt para atacar o Governo Provisório”, escreveu Nicolau no seu diário, numa entrada datada de 18 de julho de 1917. O exército russo estava a perder terreno contra os alemães na Ucrânia e as manifestações organizadas pelos bolcheviques na capital eram cada vez mais numerosas. Todas medidas tomadas para tentar conter a ira popular se mostravam inúteis e a posição do Governo Provisório era cada vez mais frágil. Como apontou Robert Service no seu livro, este só conseguiu sobreviver graças à resignação de Georgy Lvov e à promoção de Alexander Kerensky, antigo ministro da Justiça, a primeiro-ministro. O caos estava instalado.

Foi Kerensky que tomou a decisão de tirar os Romanov do palácio. Os protestos em Petrogrado eram cada vez mais intensos e podiam facilmente chegar a Tsarskoe Selo. Apesar da abdicação, havia quem ainda culpasse o czar pelo estado da Rússia. O retiro de Nicolau e Alexandra, o seu palácio favorito, já não era seguro. Era preciso agir, mas ninguém parecia estar interessado em acolher o antigo imperador.

“Em Petrogrado têm havido momentos de distúrbios, com disparos. Ontem chegaram bastantes marinheiros e soldados de Kronstadt para atacar o Governo Provisório.”
Diário de Nicolau II, 18 de julho de 1917

Depois de várias trocas de correspondência com a embaixada britânica em Petrogrado, George V, que era primo do czar, acabou por voltar atrás na palavra e recusar-se a receber a família real russa no seu país. Os britânicos não tinham a melhor opinião de Nicolau, que acreditavam ser um déspota terrível. O rei britânico não foi o único monarca a virar as costas ao czar, aparentado com muitas das grandes casas reais da europeias. Apenas o governo dinamarquês mostrou disponibilidade em receber a família, oferecendo exílio à imperatriz viúva, princesa da Dinamarca, e às suas filhas Xenia e Olga. Maria Fyodorovna, que residia então em Kiev, recusou o convite porque a grã-duquesa Olga, de 34 anos, estava grávida. Tal como os restantes Romanov, Maria não tinha consciência do perigo que corria.

Apesar da decisão imprudente, a imperatriz viúva acabaria por ser uma das poucas Romanov a sobreviver à perseguição dos bolcheviques. Maria Fyodorovna e a filha mais velha, Xenia, que tinham conseguido viver tranquilamente em Ai-Todor, na Crimeia, desde 1917, acabaram por partir em 1919, a bordo do navio HMS Marlborough, rumo a Inglaterra. Depois de uma temporada com a irmã Alexandra da Dinamarca, mãe de George V, Maria regressou à Dinamarca, país que tinha abandonado em 1866 para casar com o futuro Alexandre III. Foi aí que morreu, em 1928, dez anos depois da morte de Nicolau. Xenia permaneceu em solo britânico. Morreu em 1960. Já Olga, passou os últimos anos de vida em Toronto, no Canadá, onde morreu no mesmo ano que a irmã.

Excluída a hipótese do exílio no estrangeiro, Kerensky teve de procurar uma opção dentro das fronteiras da Rússia. O local escolhido foi Tobolsk. A possibilidade de mudar a família real para pequena povoação no oeste da Sibéria ocorreu ao primeiro-ministro depois de se ter encontrado com o comissário provincial da região, V. N. Pignatto, que se deslocou à capital russa para uma conferência com outros governantes com um cargo idêntico ao seu. A povoação siberiana, sossegada e remota, ainda não tinha sido afetada pelos tumultos das grandes cidades. E melhor ainda: não havia nenhumRomanov a viver ali perto. Era o lugar perfeito. A operação foi organizada com o maior secretismo. Kerensky temia que a nova morada dos Romanov pudesse ser descoberta pelos inimigos da monarquia e que estes organizassem um atentado contra a família. Nem mesmo Nicolau foi informado do destino. A ele — tal como aos restantes Romanov — foi-lhe apenas dito que devia levar agasalhos e roupa quente. Fazia muito frio para onde iam.

A família real deixou o palácio na madrugada de 14 de agosto de 1917. Alexander Kerensky deslocou-se à estação para se despedir, acompanhado por Ievgueni Kobylibski, militar encarregue de supervisionar a segurança do czar em Tobolsk. Disse adeus a Nicolau e beijou a mão de Alexandra. Quando a família partiu, já havia luz do dia. Nicolau acreditou sempre que a mudança para a Sibéria seria temporária. Havia de voltar Tsarskoe Selo ou instalar-se num outro local, talvez na Crimeia. Só precisava de ter paciência. A situação haveria de acalmar e tudo voltaria ao normal. Afinal, os russos eram um “povo bom, gentil”, como chegou a dizer. A revolução era passageira.

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A caminho de Ecaterimburgo

Os Romanov viveram na antiga casa do governador da Sibéria (apelidada Casa da Liberdade depois da Revolução de Fevereiro), em Tobolsk, desde agosto de 1917 até abril de 1918, altura em que foi decidido que deviam mudar de residência. A decisão foi tomada por Yakov Sverdlov, presidente do Comité Central Executivo, secretário do partido bolchevique e um dos favoritos de Lenine. Desde a subida ao poder dos bolcheviques, na sequência da Revolução de Outubro, era a ele que cabia decidir o futuro da família real.

De acordo com o historiador britânico Simon SebagMontefiore, Lenine pretendia transferir Nicolau, Alexandra e os filhos para Moscovo, onde agora o governo ficava instalado, e julgar o czar publicamente (Trotsky, formado em Direito, até se ofereceu para servir como advogado de acusação), mas Sverdlov acabou por ordenar que os Romanov seriam primeiro levados para os Urais e instalados em Ecaterimburgo. “Desconhecem-se as suas verdadeiras intenções”, escreveu Montefiore em Os Romanov. “O mais provável é que tencionassem transferir Nicolau para Moscovo, mas, devido à crise, foi decidido ‘por enquanto’ guardar os Romanov no bastião bolchevique de Ecaterimburgo; em caso de dúvidas, podiam ser mortos.”

Da esquerda para a direita: as grã-duquesas Maria, Olga, Anastácia e Tatiana com os cães Jimmy e Ortino em Tsarskoe Selo, na primavera de 1917

Ecaterimburgo era a cidade mais importante da região dos Urais. Segundo Robert Service, foi escolhida “por ser um centro dinâmico de bolchevismo cujos líderes já haviam deixado a sua marca no partido”, que tinha algumas figuras de destaque oriundas dos Urais. De um modo geral, os bolcheviques daquela região “pendiam para o lado radical em muitas disputas do partido. Cada vez mais eram conhecidos como Comunistas de Esquerda. Haviam-se mostrado contra uma paz parada com os Poderes Centrais; exigiam alterações económicas fundamentais. Pretendiam concretizar os seus sonhos marxistas sem delongas e insistiam que o único motivo da Revolução de Outubro fora a oportunidade de fundar o comunismo imediato”, escreveu o especialista no seu livro sobre Nicolau II. “Para o resto do mundo, Lenine e Trotsky apareciam como radicais intransigentes, enquanto os comunistas de esquerda os criticavam por cautela desnecessária, sendo os Urais um centro fulcral para a tentativa de pôr as suas ideias em prática.”

A 25 de abril de 1918, Nicolau foi informado de que ia ser transferido. Alexandra, que não o quis deixar viajar sozinho porque temia que o obrigassem a assinar o tratado de paz com a Alemanha, disse que ia com ele. Maria, a terceira filha do casal, também foi autorizada a ir, enquanto as irmãs, Olga, Tatiana e Anastácia ficaram para trás para cuidar de Alexei, gravemente doente. Juntar-se-iam aos pais mais tarde. Nicolau, Alexandra e Maria partiram de Tobolsk a 26 de abril, em carruagens puxadas por cavalos. Um comboio transportou-os desde a estação de Tiumen até a Ecaterimburgo, onde chegaram a 3 de abril de 1918, da parte da manhã. Uma multidão reuniu-se junto à plataforma, desejosa de ver Nicolau. Os motivos eram os priores — queriam a morte do czar. Os operários dos Urais eram extremamente hostis em relação à família real e o czar sabia disso. Ainda a bordo do comboio, quando descobriu que o destino final era Ecaterimbrugo, Nicolau mostrou-se reticente. “Preferia ir para qualquer lado que não os Urais”, terá dito. A estadia na cidade começou mal.

Moscovo incumbiu os líderes dos Urais de decidirem onde instalar Nicolau e a família. Depois de afastada a opção mais óbvia — a prisão da cidade — e de terem examinado vários edifícios públicos, Alexander Beloborodov, presidente do Comité Executivo do Soviete Regional dos Urais, e Filipp Goloshchyokin, comissário militar do mesmo organismo, chegaram à conclusão de que a melhor solução seria requisitar a residência de um cidadão abastado. A escolha recaiu sobre a casa de Nikolai Ipatiev, um engenheiro de minas e mercador abastado que, durante a Primeira Guerra Mundial, tinha lucrado com a prosperidade económica da cidade. Figura destacada da sociedade de Ecaterimburgo, Ipatiev foi informado de que devia abandonar a sua casa a 27 de abril pelo comissário para a habitação dos Urais. Foi-lhe dado um prazo de 48 anos. Ele e a família reuniram tudo o que conseguiram e mudaram-se para casa de familiares, na aldeia de Kurinskoe, nos arredores da cidade.

Construída na década de 1880 para Ivan Redikortsev, um empresário da indústria mineira, a Casa Ipatiev era uma mansão confortável, feita de pedra, com as paredes exteriores caiadas de branco e o telhado de ferro pintado de verde. Situada numa colina, na esquina da avenida Voznesensky Prospekt com a alameda Voznesensky, um dos lados dava para um grande lado e o outro para a alameda, onde havia um pequeno jardim. O piso de baixo ficava parcialmente abaixo do nível do chão. “Essas características seriam convenientes no que diria respeito à segurança”, escreveu Robert Service. Os bolcheviques queriam uma casa que pudessem isolar com facilidade e defender de possíveis ataques.

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12 de junho: a primeira morte

A 20 de maio, Olga, Tatiana, Anastácia e Alexei partiram de Tobolsk com os criados para se juntarem à família em Ecaterimburgo, o seu destino final. Enquanto isso, o Soviete dos Urais começou, a pouco e pouco, a aprisionar todos os Romanov, despachando muitos deles para Alapaevsk, a cerca de 150 quilómetros de distância. A única exceção foi Mikhail. O irmão mais novo do czar e o seu secretário de origem inglesa, Nikolai Johnson, tinham sido detidos a 7 de março de 1918 e enviados para Perm poucos dias depois. Colocados em prisão domiciliária no Hotel Korolev, Misha e Johnson viviam “discretamente” e “andavam sem problemas pela cidade” dos Urais, de acordo com Robert Service. Até que a liberdade do Romanov começou a ser um problema: “A residência permanente de Mikhail num hotel destacado punha em causa as pretensões dos bolcheviques. Se fora decidido que outros Romanov deveriam permanecer detidos, começou a pôr-se em causa o que fazer com Mikhail”, escreveu o mesmo autor. Segundo Simon Sebag Montefiore, foi em junho, quando as forças contrarrevolucionárias começaram a ameaçar a localidade, que o ramo dos Urais da Cheka, a nova polícia política russa, decidiu que era melhor que Misha e o seu secretário desaparecessem.

Foi Gavriil Myasnikov, um líder chekista local, que tomou a iniciativa de raptar e matar Mikhail Romanov. Depois de obter autorização da Cheka de Perm, recrutou quatro homens (que, nas suas próprias palavras, “estavam dispostos a morder a garganta de alguém”) e, por volta da meia-noite de 12 de junho, entrou no Hotel Korolev. De modo a convencer Mikhail e Johnson a deixarem o edifício e a entrarem com ele para uma carruagem, Myasnikov ter-lhes-á dito que corriam perigo de vida e que era imperativo que abandonassem os seus quartos. Os dois concordaram e, sem mais explicações, foram levados para um bosque nos arredores da cidade, onde foram assassinados com um tiro na cabeça. Os seus corpos foram queimados com parafina e todos os seus bens roubados. Segundo informações recolhida pela S.E.A.R.C.H., uma fundação criada para ajudar a recuperar os restos mortais dos Romanov assassinados pelos bolcheviques, o médico do grão-duque também terá sido obrigado a deslocar-se até à floresta. Misha estava doente quando foi levado. Foi o primeiro membro da família real a morrer às mãos dos revolucionários, mais de um mês antes do assassinato de Nicolau.

Existem várias versões quanto ao que se passou a seguir. A mais recente — e aquela que a S.E.A.R.C.H., que tem participado ativamente na descoberta dos restos mortais dos Romanov, acredita ser verdadeira –, foi divulgada na última década um rapaz que vivia perto do local do crime, a única testemunha conhecida dos eventos de 12 de junho de 1918. De acordo com esta, Graviil Myasnikov não terá enterrado logo os corpos. Como já era tarde, terá decidido cobri-los apenas com ramos de árvores e voltar no dia seguinte. Isso deu tempo aos locais — que terão ouvido os tiros disparados por Myasnikov e pelos seus homens — de procurarem as vítimas, que terão sido encontradas por um jovem, que correu a chamar o pai. Este, acompanhado por outras pessoas que ali viviam, enterrou Mikhail Romanov e Nikolas Johnson, gravando as letras “M” e “A” (as iniciais de “Mikhail Alexandrovich”, o nome próprio do grão-duque) numa árvore para marcar o local. Quando Myasnikov voltou no dia seguinte, não foi capaz de encontrar os corpos, que permanecem em paradeiro desconhecido.

Porque é que Graviil Myasnikov não quis enterrar imediatamente os cadáveres de Misha e do seu secretário? A decisão parece estranha, mas Edvard Radzinsky adiantou uma explicação bastante simples: na sua biografia do último czar da Rússia, o autor revelou que Myasnikov não foi diretamente responsável pelo assassinato do grão-duque e deu a entender que o revolucionário não se quis envolver diretamente no crime, tendo desaparecido pouco tempo depois. Nos anos que se seguiram à revolução, Myasnikov chegou até a passar para o lado da oposição, lutando contra Lenine. Nos anos 20, foi expulso do Partido Comunista Russo e posteriormente exilado. Depois de anos a fugir dos serviços secretos russos, conseguiu obter um visto e regressar à Rússia, em 1944. Foi detido e executado em 1945. Também Myasnikov foi apagado da história.

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17 de julho: a chacina da Casa Ipatiev

Cerca de um mês depois da morte de Mikhail, Moscovo ordenou a morte dos Romanov. “Lenine ainda estava a ponderar a ideia do julgamento, mas acabou por reconhecer que não seria prático”, escreveu Montefiore, considerando que as ordens que Yakov Yurovsky, comandante das tropas na Casa Ipatiev e responsável por organizar a execução, recebeu em Ecaterimburgo “mostram claramente que Lenine aprovou a matança da família em conversas com Sverdlov no Kremlin”. O momento foi, contudo, deixado ao critério dos líderes dos Urais. Para que a História não se encarregasse de os culpar pelo assassinato de inocentes, Lenine, presidente do Sovnarkom (a autoridade máxima do governo russo), e Sverdlov, secretário do Comité Central Bolchevique e presidente do Comité Executivo Central do Congresso dos Sovietes, “tiveram o cuidado de não ordenar especificamente a matança por escrito e Lenine foi protegido não sendo incluído na correspondência. Sverdlov era um gestor por excelência, Lenine era o decisor político e decidiam tudo em conjunto”.

A forma como os Romanov morreram na cave da casa onde foram detidos e os seus corpos enterrados nos arredores de Ecaterimburgo, dá a impressão de toda a operação ter sido levada a cabo por um grupo de amadores. A verdade é que o assassinato da família real russa foi planeada com alguma antecedência (desde 15 de julho de 1918), ainda que os pormenores tenham sido deixados para a última da hora. Yakov Yurovsky admitiria, mais tarde, que tanto ele como o seu braço direito, Grigory Nikulin, não pensaram em algumas questões importantes. “Tudo tinha de ser feito o mais rapidamente possível”, recordou. A cidade estava prestes a cair nas mãos do Exército Branco, as forças contrarrevolucionárias. Não havia tempo a perder.

Para executar os Romanov, o bolchevique de 40 anos decidiu “usar tantos homens quantas pessoas a abater”. A tarefa era simples, e Yurovskyexplicou-a ao grupo de letões e húngaros que contratou — tudo se passaria na adega da casa, uma divisão com pouco mais de sete metros quadrados, iluminada por uma única lâmpada e meio escavada na colina. Para transportar os corpos para fora do edifício, seria usado um camião Fiat, requisitado na Garagem Militar. GrigoryNikulin, PavelMedvedev, MikhailMedvedev e PyotrErmakov iam acompanhá-lo. O dia escolhido foi 16 de julho.

A antiga adega da Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, onde os Romanov foram assassinados. Ao todo, foram disparados cerca de 70 tiros contra 11 pessoas

Pelas 17h50, Filipp Goloshchekin, Comissário Militar do Comité Executivo do Soviete Regional dos Urais, telegrafou a Lenine e a Sverdlov, através de Grigory Zinoviev, chefe do Soviete de Petrogrado, para informar Moscovo de que “o julgamento decidido” não podia ser adiado. “Não podemos esperar”, afirmou. “Caso tenham uma opinião diferente, notifiquem-nos de imediato.” A palavra “julgamento” era o nome de código para a execução dos Romanov, como apontou Simon Sebag Montefiore. Para o autor, “os destinatários do telegrama provam que o assassinato foi discutido ao mais alto nível e o tom da missiva revela que Moscovo deixou a decisão final ao critério de Ecaterimburgo”. Isso seria importante na hora de atribuir as culpas.

No gabinete do comandante, foram reunidas seis pistolas e oito revólveres — 14 armas para matar 11 pessoas, cinco delas menores. Quando estava tudo a postos, Yurovsky reuniu os seus homens mas, “ao último minuto, dois letões negaram-se” a participar na matança. Não queria ser responsáveis pela morte das raparigas. Yurovsky não fez caso, “não tinham” o que era “preciso”. Ficou com dez a oito assassinos (não se sabe o número ao certo), incluindo os Medvedev e Pyotr Ermakov. Ao final da tarde, o rapaz que trabalhava na cozinha, Leonid Sednev, foi mandado embora com o pretexto de que o seu tio tinha regressado à cidade e o queria ver. No seu diário, Alexandra Fyodorovna questionou-se se algum dia voltaria a ver Leonid, companheiro de brincadeiras de Alexei.

A família deitou-se por volta das 22h30. Yurovsky ficou à espera do camião e da ordem final do Soviete do Comité Executivo dos Urais, que chegou à 1h30. O Dr. Botkin foi o primeiro a ser acordado. Yurovsky bateu-lhe à porta do quarto, junto à entrada, e avisou-o de que precisava de se vestir. Havia problemas na cidade e a família tinha de ser rapidamente transferida para um local mais seguro. A mensagem foi transmitida aos Romanov e restantes serviçais. Para não “lhes causar nenhum desconforto desnecessário”, foi-lhes dado “tempo de sobra” para se vestirem. Yurovsky não queria criar o pânico, tentou não os apressar. Enquanto todos se preparavam, sem desconfiarem de nada, o comandante dos guardas regressou ao seu gabinete para distribuir as armas e os membros da família pelos assassinos. Pyotr Ermakov, que tinha chegado bêbedo à Casa Ipatiev, foi o único a ficar com duas vítimas — Alexandra e o médico Dr. Botkin — e com mais de uma arma — três revólveres Nagants, um Mauser e uma baioneta. Aos seus homens, Yurovsky deu apenas uma indicação: pediu-lhes que “atirassem ao coração” e que evitassem “uma quantidade excessiva de sangue”, citou Montefiore. Tudo devia acabar depressa.

“Tendo em conta o facto de que os vossos parentes prosseguem a sua ofensiva contra a Rússia soviética, o Presidium do Soviete Regional dos Urais decidiu sentenciar-vos à morte.”
Sentença lida por Yakov Yurovsky na Casa Ipatiev

Nicolau, vestido com o seu uniforme militar, foi o primeiro a descer. Passava das duas da manhã. Levava Alexei ao colo, fragilizado pela doença. Alexandra e as filhas, vestidas com blusas brancas e saias escuras, apareceram depois, seguidas pelo Dr. Botkin, de fato e gravata, e os três serviçais — a criada de quarto Anna Demidova, o cozinheiro Ivan Kharitonov e o criado particular Alexei Trupp. Yurovsky conduziu-os até à adega e, antes de se dirigir à família, ordenou a Alexandra e Alexei que se sentassem nas duas cadeiras entretanto preparadas. A czarina tinha-se queixado que não tinham onde se sentarem quando o chekista lhes ordenou que se encostassem à parede. Nicolau colocou-se em frente ao filho e Botkin atrás deste; Tatiana e Anastácia ficaram atrás da mãe e Olga e Maria junto à parede da adega. “Os Romanov estavam absolutamente calmos” e “não desconfiavam de nada”, recordou mais tarde o bolchevique. Só se aperceberam do que se estava a passar quando o revolucionário, depois de ter mandado entrar o camião e pedido ao motorista que puxasse pelo motor para abafar o barulho dos disparos, anunciou que o Executivo do Soviete Regional dos Urais tinha ordenado a sua execução.

Enquanto o grupo de assassinos entrava na divisão, Yurovsky leu a sentença: “Tendo em conta o facto de que os vossos parentes prosseguem a sua ofensiva contra a Rússia soviética, o Presidium do Soviete Regional dos Urais decidiu sentenciar-vos à morte”. Enquanto a família gritava, Nicolau, em choque, pediu ao revolucionário que lesse “outra vez, por favor”. Julgava não ter compreendido o que tinha acabado de ser dito. Não podia ter percebido bem. A resposta do membro do Soviete dos Urais foi um tiro disparado na sua direção. Os seus companheiros dispararam a seguir. Com o peito manchado de sangue, o último czar de toda a Rússia cambaleou para a frente e caiu no chão da adega. Foi o primeiro a morrer na madrugada de 17 de julho de 1918, na Casa Ipatiev.

Os disparos desordenados atingiram Eugene Botkin e os criados, mas Alexandra e os filhos continuaram vivos, encostados às paredes da adega em estado de choque. Yurovsky ordenou que os seus homens continuassem a descarregar sobre as vítimas, mas os tiros eram cada vez mais desorganizados. Um deles acertou na mão de um dos assassinos, que tossiam por causa da poeira que enchia a pequena divisão. Terá sido Ermakov que terá matado Alexandra Fyodorovna com um disparo na cabeça, mas a confusão era grande dentro da adega.

Depois de descansarem durante um momento, os homens voltaram a entrar na sala para acabar o serviço. Botkin, que ainda estava vivo, foi alvejado na cabeça por Yurovsky. Este, juntamente com o seu assistente, Grigory Nikulin, disparou sobre Alexei, paralizado na sua cadeira com o rosto coberto de sangue do pai. O rapaz de 13 anos caiu para o chão mas não morreu de imediato, protegido pelos diamantes da família que tinha escondidos sob a roupa. Ermakov tentou esfaqueá-lo com a baioneta, mas foi Yurovsky que acabou por matá-lo, com um tiro na cabeça. As irmãs foram esfaqueadas e alvejadas. Bêbedo de sangue, Ermakov ainda esfaqueou Nicolau e Alexandra, que jaziam mortos no chão, com a baioneta. O buldogue  de Tatiana, Ortino, que apareceu quando os assassinos estavam a empilhar os cadáveres no camião Fiat, teve a mesma sorte. Jemmy, o cão de colo, também. Apenas o cão de Alexei sobreviveu.

A execução terá demorado cerca de 20 minutos, o suficiente para deixar a adega da Casa Ipatiev irreconhecível: “Os cadáveres jaziam numa confusão horrível, com os olhos abertos de horror e as roupas cobertas de sangue. O chão estava tão molhado e escorregadio com sangue, miolos e entranhas que parecia um rinque de patinagem”, descreveu posteriormente o revolucionário e diplomata Pyotr Voykov, a quem coube inspecionar a cave. Ao todo, terão sido disparados mais de 70 tiros. O cenário era tal que, antes de transportar as vítimas para longe do edifício (Yurovsky tinha a intenção de queimar os corpos e deitá-los ao poço de uma mina nos arredores de Ecaterimburgo), o chefe da guarda ordenou aos seus homens que lavassem a divisão. Robert Service considerou, em entrevista ao Observador, que o crime, “particularmente bárbaro”, aconteceu numa Rússia que “estava a cair na barbárie de uma guerra civil”. “Havia milhões de pessoas armadas pela Rússia fora. Era um país com demasiada experiência de conflito armado, preso na ideia de que a violência era a forma mais rápida de resolver um problema social. Daí que a paciência estivesse em baixo”, afirmou o especialista.

O assassino Peter Emarkov no lugar onde os Romanov foram enterrados no bosque de Koptyaki, nos arredores de Ecaterimburgo

O trajeto até ao bosque de Koptyaki, nos arredores de Ecaterimburgo, foi demorado. A estrada era irregular e o camião estava demasiado pesado. Depois de se encontrar com um grupo de mais de 20 homens contratados por Ermakov, que chegaram bêbedos à floresta, Yurovsky ordenou que se revistassem os cadáveres em busca de jóias e outros objetos de valor. Os homens — que se tinham queixado de não terem podido participar no assassinato da família real — “ficaram de olhos esbugalhados” quando descobriram que os Romanov tinham escondido diamantes no forro das roupas — uma pequena fortuna que depois seguiu para Moscovo. Ainda traziam ao pescoço os amuletos com miniaturas de Rasputin, que acreditavam protegê-los de todo o mal.

Em seguida, os corpos foram empilhados em carrinhos de mão, uns em cima dos outros, e transportados para perto de uma mina conhecida como “Quatro Irmãos”. Depois de despidos e as suas roupas queimadas, foram atirados para o fundo de um poço conhecido por “Ganina Yama” e regados com ácido sulfúrico para que não pudessem ser reconhecidos. Apercebendo-se de que o fosso não era fundo o suficiente (tinha apenas três metros de profundidade), Yurovsky tentou explodi-lo com granadas. De pouco valeu. O dia tinha entretanto amanhecido, e o membro do Soviete dos Urais não teve outro remédio senão voltar para Ecaterimburgo e deixar três homens a guardar o lugar. Era preciso arranjar outra solução.

“A Rússia estava a cair na barbárie de uma guerra civil. Havia milhões de pessoas armadas. Era um país com demasiada experiência de conflito armado.”
Robert Service, autor de “O Último dos Czares”

Às nove da noite de 17 de julho, Alexander Beloborodov, que entretanto tinha recebido o relatório de Yakov Yurovsky, enviou um telegrama urgente ao adjunto de Lenine, Vladimir Gorbunov: “Diga a Sverdlov que toda a família sofreu o mesmo destino do seu líder, oficialmente, a família vai perecer na evacuação”. No dia seguinte, segundo a investigação de Robert Service, Yakov Sverdlov levou a mensagem ao Comité Executivo Central do Congresso dos Sovietes, que aprovou o que tinha sido feito pelas chefias dos Urais. Encerrava-se assim a história do desaparecimento do último czar de toda a Rússia. Em Ecaterimburgo, porém, os trabalhos continuaram. Depois de várias tentativas frustradas, na madrugada de 19 de julho, pelas 4h30, Yurovsky, que não dormia há duas noites, carregou um camião com gasolina e ácido sulfúrico e regressou com os seus homens à mina dos “Quatro Irmãos”.

Depois de recuperar os corpos, decidiu transportá-los para outro local nas antigas minas de cobre. Contudo, durante o transporte dos cadáveres, o camião Fiat ficou preso na lama, num local conhecido por “Porosenkov Log” (“Campo do Porco”). Os homens estavam exaustos e começavam a recusar-se a obedecer às ordens. Yurovsky, que queria encerrar o caso o mais rapidamente possível, decidiu enterrar os restos mortais da família real ali mesmo. Foi aberta uma vala com pouco mais de 60 centímetros de profundidade e os corpos dos últimos Romanov queimados e regados novamente com ácido sulfúrico. As suas caras foram esmagadas com as pontas das espingardas. Alexei e uma das irmãs foram enterrados longe da restante família, a alguns metros de distância, numa segunda cova. Yurovsky esperava assim despistar quem encontrasse uma das sepulturas. Depois de aplanada a terra com a ajuda do camião, o revolucionário reuniu os seus homens e disse-lhes para “nunca falarem do que tinha acontecido”. Deviam “esquecer tudo o que tinham visto”. A noite de 16 para 17 de julho não tinha passado de um sonho.

No ano seguinte, Yakov Yurovsky tornou-se líder da Cheka de Ecaterimburgo. Um oficial britânico que o conheceu em 1920 recordou, mais tarde, que o bolchevique tinha remorsos do papel que tinha desempenhado na execução dos Romanov. Morreu em 1938, depois de ter ocupado vários cargos públicos (incluindo o de diretor do Museu Politécnico de Moscovo), assombrado pelo que tinha acontecido naquela madrugada.

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18 de julho: a chacina de Alapaevsk

A onda de mortes não se resumiu a Ecaterimburgo. Vinte e quatro horas depois do assassinato do czar, da czarina e dos seus filhos, foi realizada uma operação em Alapaevsk que teve como alvo os Romanov detidos nessa localidade desde maio de 1918: a irmã da czarina, Isabel Fyodorovna, mais conhecida por Ella, a sua companheira, a irmã Varvara Yakovleva, Sergei Mikhailovich, primo direito do pai de Nicolau, Vladimir Paley, filho de Pavel Alexandrovich Romanov, tio do czar, e três filhos de Konstantin Konstantinovich, neto de Nicolau I, Konstantin, Igor e Ioann. Instalados na Escola Napolnaya, nos arredores da cidade, estes familiares de Nicolau II começaram por ter mais liberdade do que ele. Podiam caminhar pelas ruas e falar com os habitantes, mas a situação piorou rapidamente: no início de julho, os passeios foram proibidos, foi colocado arame farpado em torno da escola e aberto um fosso para impedir que os prisioneiros fugissem.

Na noite de 17 para 18 de julho, um grupo de oficiais da Cheka apareceu de surpresa na Escola Napolnaya, acompanhados por líderes soviéticos da região. De acordo com o relato posterior de um dos envolvidos, Vasily Ryabov, há muito que o destino “dos membros da família imperial em Alapaevsk tinha sido decidido em Moscovo”. “Estávamos apenas à espera da ordem para executar a sentença. Assim que recebemos as notícias da execução do czar e de toda a família, pusemos imediatamente o nosso plano em ação, sem perder um segundo”, contou.

Isabel Fyodorovna, uma das irmãs mais velhas da czarina (tinham oito anos de diferença), recolheu-se a um convento, fundado por si, em Moscovo, depois da morte do marido Sergei, irmão de Alexandre III

Depois de acordarem Ella e os seus companheiros, informaram-nos de que iam ser transferidos para um lugar mais seguro devido ao avanço do Exército Branco, repetindo a mesma história contada a Mikhail e ao irmão Nicolau. Foi-lhes pedido que preparassem uma mala de roupa leve. Não valia a pena levarem muita coisa — o resto seria enviado posteriormente. Ataram-lhes as mãos atrás das costas e taparam-lhes a cara para não saberem para onde iam. Todos cooperam, à exceção de Sergei Mikhailovich. O grão-duque foi o único que fez frente aos chekistas, dizendo que não ia a lado nenhum “porque sabia que iam todos ser mortos”. “Era mais forte do que os outros. Tivemos de o dominar à força”, recordou mais tarde Ryabov. Sergei tentou barricar-se num armário, mas o chekista perdeu a paciência e deu-lhe um tiro no braço. “Não ofereceu mais resistência.”

Para disfarçar, os bolcheviques dispararam armas e fizeram explodir granadas enquanto as carruagens que transportavam os prisioneiros saíam da Escola Napolnaya. Queriam dar a impressão de que os brancos já estavam a assaltar o estabelecimento de ensino para poderem dizer que os Romanov tinham morrido durante uma troca de tiros, caso fosse necessário. Ryabov tentou tranquilizar o grão-duque o melhor que pôde, mas também se sentia “muito agitado” com o que se tinha passado na Casa Ipatiev na noite anterior. “Digam-me porquê! Nunca me envolvi na política. Gostava de desporto, jogava bilhar e interessava-me pela numismática”, afirmou Sergei, desesperado. Ao contrário de Nicolau e de Alexandra, os prisioneiros de Alapaevsk sabiam que iam morrer.

“Não tínhamos mais granadas, mas não podíamos deixar o trabalho incompleto. Decidimos encher o poço com madeira e pegar-lhe fogo. Os hinos ecoaram através do fumo espesso durante algum tempo.”
Vasily Ryabov, um dos assassinos de Ella e dos seus companheiros

Os Romanov foram levados para os arredores de Alapaevsk. Por volta da uma da manhã, chegaram a uma antiga mina ferro, meio inundada. Foram obrigados a descer das carruagens e atirados para dentro do poço. Ella foi a primeira a ser empurrada, já sem sentidos, depois de ter sido espancada à coroada. A irmã Varvara foi a seguir. Os chekistas esperavam que as duas mulheres se afogassem mas, em vez disso, começaram a ouvir vozes. “Ficou claro que, depois de se ter arrastado da água, a grã-duquesa tinha também puxado a irmã para fora”, lembrou Ryabov. A mina não estava tão cheia quanto os chekistas pensavam mas, como não tinham uma “alternativa melhor”, decidiram prosseguir com o plano inicial e “atirar também os homens”. Ninguém se afogou. “Lancei uma granada. Explodiu e fez-se silêncio, mas não por muito tempo. Decidimos esperar um pouco para ver se eles tinham morrido. Ao fim de um bocado, ouvimos falar e um gemido. Lancei outra granada. E depois, o que julgam? Puseram-se a cantar ‘Salva o teu corpo, Senhor’.”

Depois de uma queda de vários metros e de duas granadas, os prisioneiros continuavam vivos. A única exceção era Sergei. Assim que chegou à mina, o grão-duque voltou a resistir e foi morto imediatamente com um tiro na cabeça. Sem mais explosivos que pudessem lançar, os chekistas decidiram encher o poço com madeira e pegar-lhe fogo. “Os hinos ecoaram através do fumo espesso durante algum tempo” até que, por fim, se fez silêncio. “Até o cenário macabro organizado por Yurovski na adega Ipatev fora menos horrendo”, considerou Robert Service.

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27 de janeiro: a morte dos últimos Romanov

A chacina não ficou por aqui. Ainda no mesmo mês, Nicolau Mikhailovich Romanov, o seu irmão Georgii, e Dimitri Konstantinovich, filho de Konstantin Konstantinovich Romanov, todos primeiros direitos do pai de Nicolau, Alexandre III, foram enviados para a Fortaleza de Pedro e Paulo, em Petrogrado. Os grãos-duques estavam detidos na prisão de Vologda, no noroeste da Rússia, desde o início do ano e tinham então descoberto que o czar tinha sido assassinado. A eles veio depois juntar-se-lhes o último filho de Alexandre II, Pavel Alexandrovich Romanov, que tinha 58 anos e uma saúde frágil. Era apenas uma questão de tempo até os quatro homens serem executados.

Isso acabou por acontecer a 27 de janeiro de 1919. Nicolau, Goergii e Dimitri foram acordados a meio da noite por guardas, que os conduziram ao pátio em frente à catedral de Petrogrado depois de os mandar despir-se até à cintura. Uma vez aí, foram mandados colocarem-se junto a uma vala cheia de cadáveres. Foram abatidos a tiro. Pavel, que estava demasiado doente para andar pelo próprio pé, teve de ser transportado numa maca, onde foi assassinado. Os corpos dos quatro grão-duques foram depois atirados para a sepultura. Foram os últimos Romanov a morrer às mãos dos bolcheviques.

Oficialmente, a morte de toda a família real nunca foi reconhecida. O Sovnarkom limitou-se a confirmar a notícia da execução de Nicolau e a apoiar a decisão, atribuída ao “Soviete de Ecaterimburgo”. A 19 de julho, antes de os bolcheviques abandonarem os Urais, as chefias decidiram fazer uma declaração pública na ópera de Glavny Prospekt. Havia demasiados rumores a circular. Goloshchyokin explicou aos habitantes de Ecaterimburgo que Nicolau tinha sido assassinado pelos comunistas da localidade siberiana em reação à “ameaça militar dos ‘bandos checoslovacos’” e que Alexandra e os filhos teriam sido poupados e transferidos para um local seguro. Esta tomada de posição — a única feita publicamente — libertou Moscovo de qualquer responsabilidade, transferindo toda a culpa para o Soviete Regional dos Urais. O que nunca ficou claro foi  o porquê de os líderes comunistas terem escolhido esconder a verdade.

Quem foram os Romanov assassinados pelos bolcheviques?

  • Mikhail Alexandrovich, filho mais novo de Alexandre III e irmão do czar;
  • Nicolau II, antigo czar de toda a Rússia;
  • Alexandra Fyodorovna (nascida princesa Alexandra de Hesse-Darmstadt), czarina;
  • Os cinco filhos de Nicolau e Alexandra: Olga (22 anos), Tatiana (21 anos), Maria (19 anos), Anastácia (17 anos) e Alexei (13 anos), herdeiro do trono e hemofílico (doença herdada da família do lado materno);
  • Isabel Fyodorovna (nascida Isabel de Hesse-Darmstadt), abadessa e irmã mais velha da czarina;
  • Sergei Mikhailovich, primo direito de Alexandre III, pai de Nicolau;
  • Vladimir Paley, filho de Pavel Alexandrovich, filho mais novo de Alexandre II, avô de Nicolau;
  • Três filhos de Konstantin Konstantinovich, neto de Nicolau I: Konstantin, Igor e Ioann;
  • Nicolau Mikhailovich, primo direito de Alexandre III;
  • Georgii Mikhailovich, irmão deste;
  • Dimitri Konstantinovich, outro filho de Konstantin Konstantinovich;
  • Pavel Alexandrovich, tio de Nicolau.

Como apontou Robert Service: “O raciocínio subjacente à recusa soviética em revelar quantos Romanov haviam sido mortos continua por revelar, não tendo ainda surgido qualquer documento que explique o motivo porque Sverdlov e Lenine adotaram esta abordagem”. O autor acredita que a “noção de que a execução dos cinco jovens Romanov levasse a uma repulsa generalizada tanto no país como no estrangeiro” talvez tivesse pesado. A política externa também poderá ter sido tomada em consideração. A czarina era alemã de nascimento e a sua morte às mãos de um esquadrão bolchevique poderia levantar problemas durante as negociações de paz com a Alemanha, uma das grandes lutas de Lenine.

O que é certo é que Vladimir Lenine e Yakov Sverdlov tentaram fazer com que a história fosse esquecida. A última notícia publicada num órgão de comunicação bolchevique sobre os Romanov é datada de 20 de julho (um dia depois de ter sido divulgado o decreto do Sovnarkom, presidido por Lenine, que decretava a confiscação de todos os bens da família rela) e diz respeito não a Nicolau e Alexandra, mais sim aos familiares que estavam detidos em Alapaevsk. Nesta nota, divulgada no jornal bolchevique dos Urais, contava-se a versão oficial do que tinha acontecido na madrugada de 18 de julho: os Romanov tinham fugido durante um ataque de “bandidos” e encontravam-se em parte incerta. A notícia — a única divulgada sobre os prisioneiros de Alapaevsk — teve pouco impacto, como referiu Service. Mais uma vez, o crime coincidiu com a evacuação da localidade, sobre ataque dos contrarrevolucionários. Quem ali vivia, tinha outras preocupações e os líderes soviéticos estavam a contar com isso. A partir daí, os Romanov desapareceram dos jornais. O paradeiro da czarina e dos filhos não chegou a ser esclarecido.

Os encobrimentos oficiais levaram ao surgimento de inúmeros relatos de avistamentos, com os bolcheviques dos Urais a alimentarem deliberadamente a confusão. Por toda a Sibéria, mas sobretudo em Perm, para onde os revolucionários se mudaram depois de deixarem Ecaterimburgo, começaram a surgir alegados membros da família Romanov, ao ponto de, antes do final do verão de 1918, existirem mais “do que a família tivera na última geração”, como apontou Robert Service. Anastácia, motivo de especulação durante várias décadas, foi uma das grã-duquesas a ser descoberta em Perm. Um procurador-adjunto responsável por uma investigação lançada em 1919 até descobriu provas concretas da passagem da filha do czar pela localidade siberiana, umas supostas receitas médicas passadas por um tal Dr. Utkin. A teoria de que Anastácia tinha sobrevivido ao massacre da Casa Ipatiev tornou-se mais popular na década de 1920, quando Anna Andersen foi descoberta num asilo mental de Berlim. A mulher (que na verdade se chamava Franziska Schanzkowska e tinha nascido na Polónia) afirmava ser a grã-duquesa.

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A viagem de Ella

Uma semana depois do assassinato da família real, Ecaterimburgo caiu nas mãos do Exército Branco. Alapaevsk foi conquistada poucos meses depois depois. Foram os contrarrevolucionários, que tinham dado início a uma investigação sobre a morte dos Romanov na Casa Ipatiev pouco tempo após a sua chegada à cidade, que terão descoberto os corpos de Ella e dos seus companheiros no fundo do poço para onde tinham sido atirados três meses antes, transferindo-os para a Catedral de Alapaevsk. Os restos mortais da irmã da czarina, e daqueles que tinham morrido com ela, ficaram na cidade dos Urais até julho do ano seguinte, altura em que, perante o avanço dos bolcheviques, iniciaram uma grande viagem.

Segundo Simon Sebag Montefiore, que relata o episódio no seu livro sobre a dinastia Romanov, um padre terá transferido os caixões das vítimas para Irkutsk, na Sibéria, a mais de três mil quilómetros de Alapaevsk. Como o terá feito, Montefiore não especifica. Daí, estes terão sido levados para Harbin, na Manchúria (hoje parque da República Democrática da China), e daí para Pequim, onde terão sido descobertos pela irmã mais velha de Ella e Alexandra Fyodorovna, Victoria Mountbatten, marquesa de Milford Haven, que vivia em Inglaterra. Foi graças a Victoria e ao marido, o marquês Louis Alexander Mountbatten, que, em janeiro de 1921, o cadáver de Ella e da irmã Varvara foram transladados para Jerusalém.

Os “caixões singelos” foram recebidos pelos marqueses de Milfod Haven na cidade de Port Said, no Egito, e transportados para a Palestina. Uma vez em Jerusalém, “o pequeno cortejo seguiu o seu caminho, triste e discretamente, até ao Monte das Oliveiras”, escreveu Louis Mountbatten, que acompanhou o processo de transladação juntamente com a mulher, citado por Montefiore. “Camponesas russas, peregrinas que tinham ficado bloqueadas na Palestina, soluçavam e gemiam e quase lutavam para se apoderarem de um bocado do caixão.” Os restos mortais foram depositados em sarcófagos brancos, com tampas de vidro, na Igreja de Maria Madalena, que tinha sido inaugurada por Sérgio e Ella, em 1888. As duas freiras foram posteriormente canonizadas pela Igreja Ortodoxa Russa.

“O pequeno cortejo seguiu o seu caminho, triste e discretamente, até ao Monte das Oliveiras. Camponesas russas, peregrinas que tinham ficado bloqueadas na Palestina, soluçavam e gemiam e quase lutavam para se apoderarem de um bocado do caixão.”
Louis Alexander Mountbatten, marido da irmã mais velha de Alexandra

Quanto aos restantes Romanov, seriam precisos vários anos até os seus corpos serem descobertos e os seus nomes restituídos à História russa. Um primeiro passo foi dado apenas uma semanas depois da morte da família real russa, com a abertura de um inquérito sobre o que se tinha passado na Casa Ipatiev pelos militares que tinham ocupado Ecaterimburgo a 25 de julho de 1918. Apesar de os dois juízes de instrução nomeados para o processo terem encontrado evidências de que o assassinato de Nicolau, Alexandra e os filhos tinha acontecido, não foram capazes de descobrir onde estavam enterrados os corpos. Nikolai Sokolov, um juiz de Omsk, foi o único capaz de encontrar os primeiros vestígios relacionados com a chacina da Casa Ipatiev, na zona da mina dos “Quatro Irmãos”. Pequenos pedaços de ossos queimados, sapatos, pérolas e até balas — Sokolov encontrou um pouco de tudo no interior do poço onde os bolcheviques tinham atirado os corpos e até chegou a identificar o local onde o camião Fiat tinha avariado. Nunca chegou a descobrir as sepulturas que, sem saber, tinha pisado.

Quando Ecaterimburgo voltou a cair nas mãos do Exército Vermelho, no ano seguinte, Sokolov teve de abandonar a investigação. Incapaz de desistir do caso, o juiz de Omsk levou consigo todo o material recolhido ao longo de um ano. O seu trabalho só seria concluído várias décadas depois, pelos investigadores amadores Alexander Avdonin e Geli Ryabov que, em maio de 1979, descobriram a primeira sepultura no bosque de Koptyaki depois de analisarem as fotografias tiradas por Yurovsky em 1918. “Encontraram crânios e ossos, mas a investigação coincidiu com o auge da estagnação reestalinizada de Leonid Brejev”, que liderou a União Soviética entre 1964 e 1982, referiu Simon Sebag Montefiore no seu livro dedicado à história da dinastia Romanov. “A sua descoberta chegou antes do tempo político certo. Reenterraram os ossos.” Foi só após a queda do regime comunista, em 1991, que foram exumados.

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Novamente juntos em São Petersburgo

No dia 11 de julho de 1991, depois de três dias de escavações, uma expedição oficial da Federação Russa exumou os ossos encontrados no bosque de Koptyaki por Alexander Avdonin e Geli Ryabov no final dos anos 70. Foram identificados nove esqueletos, pertencentes a quatro homens e cinco mulheres. Apesar de faltarem dois membros da família real, a 17 de julho, o presidente do Comité Executivo da Região de Sverdlovsk, a que pertence Ecaterimburgo, Eduard Rossel, anunciou numa conferência de imprensa que os restos mortais pertenciam “muito provavelmente” a Nicolau II, à sua família e aos criados que tinham viajado com eles até à cidade.

Esta assunção foi confirmada por testes de ADN, realizados entre 1993 e 1995 nos Estados Unidos da América, Reino Unido e Rússia, na sequência da abertura de um processo de investigação às mortes dos Romanov. Alexandra foi identificada com a ajuda do príncipe Filipe, duque de Edimburgo, marido da rainha Isabel II, que disponibilizou o seu ADN. Filipe é filho da princesa Alice de Battenberg, filha de Victoria, a irmã mais velha da czarina. Nicolau foi identificado graças ao ADN de três parentes vivos. Depois de muitas investigações forenses, chegou-se à conclusão de que faltavam os corpos de Alexei e de Maria (inicialmente, os especialistas acharam que era Anastácia que estava desaparecida).

Os Romanov foram sepultados na Catedral de Pedro e Paulo, em São Petersburgo. A cripta inclui placas com o nome de cada membro da família real, incluindo Alexei e Maria

Apesar dos resultados dos testes, a Igreja Ortodoxa Russa mostrou-se relutante em reconhecer os restos mortais encontrados em Ecaterimburgo. Para justificar a sua posição, a instituição religiosa recorreu à falta de evidências mais concretas: além de faltarem dois corpos, não tinham sido encontradas roupas ou quaisquer outros vestígios que pudessem provar a autenticidade dos cadáveres. E pior: o mau trabalho feito pelos soviéticos tinha destruído o local onde se encontrava a sepultura. Ainda assim, o governo russo decidiu avançar com as cerimónias fúnebres e sepultar Nicolau e a família na Catedral de Pedro e Paulo, em São Petersburgo, local de enterro dos Romanov desde Pedro, o Grande. A Igreja absteve-se de participar no funeral, admitindo que preferia que as vítimas permanecessem numa sepultura “simbólica” até que a questão da autenticidade fosse resolvida.

Nicolau e a família foram sepultados a 17 de julho de 1998, data do 80º aniversário do seu assassinato, durante uma cerimónia que contou com a presença de trinta dos seus descendentes. Apesar de inicialmente ter afirmado que não iria participar, o presidente Boris Yeltsin também compareceu acompanhado pela mulher. Durante o discurso que fez na catedral de São Petersburgo, Yeltsin afirmou que aquele era “um dia histórico para a Rússia”. “Estivemos muito tempo calados acerca deste crime monstruoso. Temos de dizer a verdade: o massacre de Ecaterimburgo tornou-se num dos episódios mais vergonhosos da nossa história”, disse. Considerando que “ao enterrarmos os restos mortais de vítimas inocentes”, estavam a “expiar os pecados” dos seus antepassados, o presidente da Federação Russa admitiu, pela primeira vez, que a culpa não era apenas de um, mas de todos: “Somos todos culpados. Não podemos mentir a nós próprios e tentar justificar a crueldade sem sentido com base na política. O fuzilamento da família Romanov foi o resultado de uma divisão na sociedade russa, entre ‘nós’ e ‘eles’. Os resultados dessa divisão podem ser vistos ainda hoje.”

“Estivemos muito tempo calados acerca deste crime monstruoso. Temos de dizer a verdade: o massacre de Ecaterimburgo tornou-se num dos episódios mais vergonhosos da nossa história. Ao enterramos os restos mortais de vítimas inocentes, estamos a expiar os pecados dos nossos antepassados.”
Boris Yeltsin, presidente da Federação Russa de 1991 a 1999

Afirmando que “muitas páginas gloriosas da história da Rússia estão ligadas aos Romanov”,  Boris Yeltsin lamentou que o nome da família real estivesse “ligado a uma das lições mais amargas: qualquer tentativa para mudar a vida através da violência está condenada ao fracasso”. “Temos de chegar ao fim deste século, que foi uma era de sangue e de violência na Rússia, com arrependimento e paz, independentemente das posições políticas, da etnia ou da crenças religiosas”, disse ainda o presidente. “Esta é a nossa oportunidade histórica.”

O discurso de Yeltsin foi por si só um momento histórico — foi a primeira vez que um alto membro do governo admitiu o que a Rússia tinha feito. Ao fazê-lo, Yeltsin talvez estivesse a pensar no seu próprio arrependimento: em 1977, enquanto primeiro-secretário do Partido Comunista de Sverdlovsk, ordenou a demolição da Casa Ipatiev. YuriAndropov, presidente do KGB, receava que se tornasse num “objeto de muita atenção” por parte dos “círculos antissoviéticos do ocidente” e sugeriu a sua destruição. No seu lugar, foi construída a Igreja do Sangue em Honra de Todos os Santos Resplandecente na Terra Russa (uma das maiores do país), depois do fim da União Soviética. Apesar do desaparecimento da Casa Ipatiev, a colina transformou-se num local de peregrinação.

Em 2001, um ano depois da canonização da Nicolau, Alexandra e os filhos pelo Patriarca de Moscovo (a família já tinha sido canonizada em 1981, pela Igreja Ortodoxa fora da Rússia), foi construído na zona de Ganina Yama o Mosteiro Imperial dos Santos Portadores da Paixão, com sete capelas dedicadas a cada membro da família imperial. Uma cruz alta marca o local onde ficava o poço.

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Um capítulo ainda por encerrar

Durante a escavação da mina dos “Quatro Irmãos”, nos arredores de Ecaterimburgo, foram identificados nove corpos. Os restos mortais de Alexei e de Maria, a terceira filha do czar e da czarina, não chegaram a ser encontrados. Isso só aconteceu muitos anos mais tarde, em agosto de 2007. Tal como nos anos 70, as vítimas foram descobertas por um grupo de especialistas sem quaisquer ligações governamentais, que foram capazes de chegar aos corpos das duas crianças depois de descobrirem a pista que faltava nos antigos relatórios soviéticos. Foi a partir daí — de uma única frase proferida por Yurovsky — que os investigadores conseguiram encontrar a segunda sepultura, a apenas 64 metros do local onde tinham sido sepultados Nicolau e a restante família.

Apesar de o bosque de Koptyaki se ter tornado num local de peregrinação depois da morte dos Romanov (por mais que os bolcheviques tivessem tentado esconder o que aconteceu na noite de 17 de julho de 1918, a história espalhou-se rapidamente) e das investigações levadas a cabo desde a descoberta da primeira sepultura, até ao verão de 2007 ninguém tinha sido capaz de encontrar os dois cadáveres em falta, enterrados sob uma pequena elevação entre as árvores. Isso deveu-se sobretudo ao facto de, durante décadas, as palavras de Yakov Yurovsky terem sido mal interpretadas — ao contrário do que sempre se pensou, no relatório, o revolucionário não disse ter enterrado os corpos em duas covas abertas uma ao lado da outra, mas sim em duas sepulturas na mesma área. A confusão foi gerada por uma expressão em russo (“tot zhe”) que pode significar as duas coisas. O historiador Vitaly V. Shitov, acompanhado por membros de um clube de história militar de Ecaterimburgo chamado “Escudo da Montanha”, foi o primeiro a tentar alargar a área de investigação, terminando o trabalho começado por Alexander Avdonin, em 1998.

Trabalhando aos fins de semanas, o grupo começou por identificar a fogueira que Yurovsky disse ter usado para tentar queimar os corpos. Depois de três expedições, a 29 de agosto de 2007, os exploradores, supervisionados pelo arqueólogo Sergei Pogorelov, conseguiram finalmente encontrar os restos mortais que procuravam. Ao todo, foram encontrados 44 fragmentos de ossos e dentes. Estavam queimados e tinham sido enterrados juntamente com vasos, usados para derramar ácido sobre os corpos. Aos olhos dos investigadores, isso confirmava a autenticidade das ossadas — o cenário era muito semelhante ao encontrado na primeira sepultura, em “Porosenkov Log”.

A descoberta da segunda sepultura no bosque de Koptyaki apresentou-se desde logo como a oportunidade ideal para confirmar os testes feitos nos anos 90 que, apesar das evidências, levantaram algumas dúvidas dentro da comunidade científica russa e, sobretudo, da Igreja Ortodoxa Russa. O Capitão Peter Sarandinaki, presidente da S.E.A.R.C.H. — uma fundação com sede nos Estados Unidos da América criada para apoiar financeiramente a investigação e descoberta dos Romanov assassinados depois da Revolução de Outubro –, que participou nas buscas iniciais pelos corpos de Alexei e da irmã no final dos anos 90 a pedido de Alexander Avdonin, foi convidado para coordenar os novos testes de ADN pelo Coronel Vladimir Soloviev, o oficial russo responsável pela investigação do assassinato dos Romanov. Estes foram efetuados de forma independente por quatro laboratórios distintos e os resultados divulgados em dezembro de 2008. A correspondência foi de 100%, ficando assim confirmada a autenticidade não só dos restos mortais da primeira sepultura, como também dos da segunda. Alexei e Maria tinham sido finalmente encontrados.

“Havia muitas perguntas, e a Igreja está a tentar responder a tudo. Não nos podemos esquecer que estamos a lidar com santos. Tudo tem de ser clarificado, toda a gente tem de ter a certeza.”
Peter Sarandinaki, presidente da fundação S.E.A.R.C.H.

Apesar de os especialistas terem confirmado a autenticidade dos restos mortais, a Igreja Ortodoxa Russa voltou a ter dúvidas. E a morte de Alexei II, no dia em que foram divulgados os resultados dos novos testes de ADN, a 5 de dezembro de 2008, só veio dificultar a situação. “O novo patriarca, Cirilo I, disse que não se podia tomar uma decisão como aquela naquele momento. Havia demasiadas perguntas por responder”, contou ao Observador o Capitão Peter Sarandinaki. “A Igreja não pode cometer erros.” Durante oito anos, os ossos estiveram guardados dentro de duas pequenas caixas de cartão seladas com fita adesiva no interior de um cofre dos Arquivos Nacionais russos, em Moscovo. Até que, em 2015, depois de muita pressão feita pelos descendentes da família real, a Comissão de Investigação do Ministério do Interior reabriu o inquérito “para possibilitar à Igreja a verificação da identidade de toda a família através do ADN de Nicolau e Alexandra (que foram brevemente exumados), de Ella (que jaz em Jerusalém), de Alexandre II (através do seu capote ensanguentado que se encontra no Hermitage) e de Alexandre III”, pai do último czar, escreveu Simon Sebag Montefiore no seu livro.

De acordo com o presidente da S.E.A.R.C.H., que tem vindo a colaborar diretamente com a equipa de investigadores na Rússia através do envio da informação que foi recolhendo ao longo dos anos (esta já encontrava-se disponível às autoridades russas, mas Peter Sarandinaki teve de a enviar novamente), estão a participar na operação “cientistas de todos os campos”, mas também historiadores e arquivistas que estão à procura das respostas para todas as questões. “Acredito que é trabalho honesto, mas muito lento. Têm o tempo do seu lado”, defendeu o norte-americano, bisneto do Tenente-General Sergey Nikolaevich Rozanov, líder do Exército Branco que libertou Ecaterimburgo das mãos dos bolcheviques seis dias depois do assassinato dos Romanov, e neto do Coronel Kiril Mihailovich Naryshkin, adjunto de Rozanov. Os dois militares foram dos primeiros a entrar na Casa Ipatiev depois da conquista da cidade.

O processo ainda não terminou: em 2016, Cirilo I, voltou a defender que a instituição religiosa russa tem dúvidas em relação às investigações feitas no tempo de Boris Yeltsin. Para Peter Sarandinaki, que dedicou os últimos 27 anos da sua vida a procurar os restos mortais dos familiares desaparecidos de Nicolau II, a grande dificuldade prende-se com o facto de os Romanov terem sido canonizados pela Igreja Ortodoxa, dentro e fora da Rússia. “Eles são santos”, o que significa que têm direito a ser enterrados como tal. E para que isso aconteça, a Igreja Ortodoxa Russa “tem de ser convencida”. “Havia muitas perguntas, e a Igreja está a tentar responder a tudo. Não nos podemos esquecer que estamos a lidar com santos. Tudo tem de ser clarificado, toda a gente tem de ter a certeza.”

É impossível prever quanto tempo irá ser preciso até a Igreja Ortodoxa Russa anunciar a sua posição final relativamente à questão Romanov. “Acho que a próxima sessão do Sínodo [da Igreja Ortodoxa Russa, a 14 de julho,] não vai tocar no assunto, apesar de só recebermos a ordem de trabalhos no dia anterior”, disse recentemente à agência de notícias TASS o responsável pelo departamento de relações externas da Igreja, frisando que, se a questão do reconhecimento dos restos mortais dos Romanov estivesse para ser discutida, os membros do Sínodo já teriam sido informados. Uma coisa, porém, é a certa: “Para a Igreja tomar uma decisão final, todas as questões devem ser respondidas”, afirmou o Capitão Peter Sarandinaki, acrescentando que, “quando a Igreja estiver pronta”, fará o anúncio. “Eles querem ser convencidos. Querem acreditar no seus cientistas, na sua equipa que está a fazer o trabalho. Acho que isto vai acabar bem, mas as pessoas têm de ser pacientes.” Apesar das acusações de que a Igreja tem procurado atrasar o processo, Sarandinaki não culpa os ortodoxos russos de nada. “Estou muito contente que estejam a perder tempo e a fazer o que estão a fazer porque é muito importante que a Igreja esteja realmente convencida”, afirmou, acrescentando que é fundamental encerrar este capítulo negro da história russa.

“É um caso muito importante que tem de ser fechado. Precisamos de o encerrar para a família, para a Rússia e para nós [descendentes de russos], que vivemos longe.”
Peter Sarandinaki, presidente da fundação S.E.A.R.C.H.

“Sou o presidente da fundação S.E.A.R.C.H. desde 2007, com o propósito de angariar fundos para procurar [os restos mortais dos Romanov], para ajudar a fechar este triste capítulo na História mundial. Este crime foi cometido há 100 anos e mudou o curso da História”, disse ao Observador. “Levou à subida ao poder dos comunistas, e isso mudou todo o século XX até agora. Mudou a História. É um caso muito importante que tem de ser fechado. Precisamos de o encerrar para a família, para a Rússia e para nós [descendentes de russos], que vivemos longe.”

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À procura de Mikhail

Para o Capitão Peter Sarandinaki, presidente da S.E.A.R.C.H., o caso de Alexei e Maria está encerrado. É só uma questão de tempo até a Igreja Ortodoxa Russa divulgar os resultados e fechar esse capítulo negro da História russa. Há outro, porém, que continua em aberto: até hoje, nunca foram descobertos os corpos de Mikhail Romanov, o irmão mais novo de Nicolau, e do seu secretário, Nicholas Johnson, os primeiros a serem assassinados naquele verão de 1918, cerca de um mês antes da chacina da Casa Ipatiev. Sarandinaki decidiu procurar os restos mortais do grão-duque depois de ter terminado o seu trabalho na identificação de Alexei e Maria, em 2004. Para isso, decidiu entrar novamente em contacto com o geofísico Vladimir Konstantinov, com quem tinha trabalhado no caso dos dois filhos de Nicolau II.

Foi Konstantinov que, durante as buscas por Alexei e Maria, revelou ao capitão reformado da Marinha norte-americana que os corpos de Mikhail e do seu secretário Johnson, assassinados nos arredores de Perm em junho de 1918, nunca tinham sido encontrados. “Assim que acabei o trabalho de ADN [de Alexei e Maria], liguei-lhe e disse-lhe para irmos a Perm ver o que é que podíamos fazer”, contou o presidente da S.E.A.R.C.H. ao Observador. Sarandinaki e Konstantinov deslocaram-se até à cidade, localizada junto aos Montes Urais, em 2009 e 2012, mas o trabalho sofreu uma reviravolta com a súbita morte do geofísico em 2013. Peter Sarandinaki, que queria continuar com as investigações, pediu ajuda a “velhos amigos” e formou uma equipa de especialistas de diferentes áreas, dos Estados Unidos e Reino Unido, que trabalham sem receber sem receber nada em troca. “Somos todos voluntários”, explicou ao Observador. Os descendentes das vítimas também têm participado, e o apoio governamental também tem sido fundamental: “Temos o apoio do distrito governamental de Perm, do governador da região, da polícia local e da Igreja. Toda a gente está a trabalhar connosco, até os arquivos”.

Os descendentes dos Romanov continuam à espera que a família seja finalmente reunida em São Petersburgo, antiga capital do império russo

Desde o início dos trabalhos, em 2009, que Sarandinak tem colaborado diretamente com os arquivos russo, acumulando toda a informação relativa ao assassinato do grão-duque. Este ano, foi dado mais um salto importante nessa pesquisa e o presidente da S.E.A.R.C.H. acredita estar muito perto de encontrar a sepultura do irmão do czar e do seu secretário. “Recolhemos muita informação. Os arquivo estão a tentar encontrar toda a informação [existente]. Havia oito ou nove versões sobre onde os restos mortais poderiam estar, mas nos últimos oito anos temo-nos concentrado naquela que é a mais importante, a mais viável. Este ano, os arquivos confirmaram-nos que estamos há procura no sítio certo”, explicou.

Esse “sítio certo” é uma área de cerca de um quilómetro no topo da “Montanha Vermelha”. “Dividimos esse quilómetro em secções e, a cada ano, investigamos uma secção diferente.” Até agora, foi encontrada uma estrada de pedra (feita por trabalhadores alemães nos anos 40 e abandonada na década seguinte), coberta por árvores, vestígios de uma ponte, de uma antiga fábrica de sapatos, oito balas, descobertas numa encosta, mas nada diretamente ligado ao grão-duque ou ao seu secretário. “Eles não estavam em nenhuma das secções que investigámos até agora, e isso é importante”, afirmou o Capitão Peter Sarandinaki. “A área de pesquisa está a ficar cada vez mais pequena.” Isso significa que, “nos próximos três anos”, Sarandinaki e a sua equipa irão encontrá-los. Isto, “se eles lá estiverem”. “Sabemos que percorreram cinco quilómetros desde Perm e que viraram à direita. [Algumas fontes] falam em 100 metros ou mil metros, ou seja, um quilómetro. As estradas já não estão lá mas, com o equipamento disponível, fomos capazes de as encontrar. Ainda estamos à procura de outras estradas que possam ter sido usadas e que desapareceram.” Passados 100 anos, a paisagem está muito diferente, mas Sarandinaki acredita que “têm boas pistas para o próximo ano”. “Temos a ajuda dos russos.”

Acima de tudo, o Capitão Peter Sarandinaki espera que, ao encontrar os corpos dos Romanov que morreram às mãos dos bolcheviques, ajude as suas famílias a ultrapassar o que aconteceu em 1918. “Espero que, ao encontrar os restos mortais, e depois com a aceitação da Igreja [Ortodoxa Russa], se dê um passo na união do povo russo. Os bisnetos não têm culpa do que os bisavôs fizeram. É a História.” Sarandinaki, que soube tudo que aconteceu aos Romanov quando tinha dez anos, através da avó, cresceu com este passado negro. Tal como muitos outros russos e descendentes de russos, conhece bem o peso da História.

Fotografias: Wikimedia Commons e MLADEN ANTONOV/AFP/Getty Images.

Mais seguidos do Twitter mostra um povo alienado despolitizado e consumista

15/07/2018

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GOVERNO COMUNISTA EXTERMINANDO O POVO DA NICARÁGUA

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TROFÉU PORNO POLITICAMENTE CORRETO

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ÓDIO DO BEM QUE PETISTA ADORA

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E QUEM PODERÁ NOS SALVAR??

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PRODUTOR RURAL CARREGANDO O GOVERNO NAS COSTAS

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LINDA PATRIOTA E TRUMPISTA

Beleza é fundamental

Modelo de mulher européia


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Parabéns Igmar Bergaman 100 anos hoje

14/07/2018

O politicamente correto lembra o que?

14/07/2018

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Isto é lutar pela paz – Soldada do IDF -Forças Armadas de Israel – derrubou drone terrorista que ia cometer genocídio contra o Povo Eleito

14/07/2018

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Mandei esta foto para o twitter do Bill Clinton, foto dos perseguidos brancos sul africanos pobres que ninguém quer receber em seu país, exilados que ninguém quer por serem brancos loiros e perseguidos pelo governo revanchista da África do Sul.

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BRASIL DO FUTURO

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ARMAS COMBATEM OS VIOLENTOS

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WHAT THE FUCK IS THAT???

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Comunismo na América Latina – Isto é o que o PT quer para o Brasil

13/07/2018

Na Nicarágua, o pau como para tirar o ditador comunista chavista do poder.

 

Em Cuba, miséria e mulher prendendo mulher.

Na Venezuela, fome e famintos como na Etiópia

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cuba hoje

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Violência praticada por invasores na Europa fica impune pelo medo de ser o acusador ficar suspeito de racismo

12/07/2018

Migrant boys abuse and rape 5 young girls in Denmark – Migrant mother thinks racism is behind their arrest

Six boys with migrant backgrounds have been charged with rape or the attempted rape of five young girls in Hørsholm, Nivå and Kokkedal, Denmark’s BT reports. 

Nordsjællands Police are currently investigating a number of alleged rapes of girls in Nivå, Kokkedal and Hørsholm last year. Meanwhile, the local parents are scared and watch their children carefully.

According to the allegations, several of the assaults took place in Holmegårdsvej in Kokkedal.

The boys plead not guilty and no action has yet been brought in the cases. The girls had to perform oral sex and others were raped. The youngest of the girls were only 13-years-old.

“There was no rape. If you’re with a girl at her home, it’s not rape like if you grab a girl outdoors and force her down. She lied and the charges are exaggerated,” a father of one of the boys says.

One of the boy’s mothers says ‘racism’ is behind the accusations.

“I cry when I think of him. I only have him. He is really sweet and polite, and he does not bother (..) Suddenly, the police comes and takes him. Now I want to understand why. I think it’s strange. Perhaps she [the victim]is racist or has something against foreigners,” the mother says.

Five out of six of the boys have been detained since June, and are in a closed institution for young people. All of the suspects have Turkish or Arab names according to Danish media.

O seu professor comunista sempre mente dizendo que petista é democrático e é de paz – A mente do petista – Você pode ser um petista e ainda não percebeu

10/07/2018

 

“Subestime a “religião socialista”, e eles vão arrebentar você de novo. O petismo ainda é dominante em 3 zonas:


1) nas universidades, especializações, mestrados e doutorados;
2) fortíssimo no campo jurídico, reduto de ‘justiceiros sociais’ completamente doutrinados;
3) na arte, devido ao espírito anti-conservador da geração beat e do pós-modernismo.
Com a condenação de Lula, eles estarão cada vez mais obcecados e ressentidos, com um sentimento de vingança mais do que profundo na raiz da alma, e estão neuróticos achando que enveredaram em uma cruzada final contra o ‘mal’, contra o ‘grande capital’.


A doença mental difusa do PT e do esquerdismo em geral tem uma racionalidade própria, possui auxílio direto da KGB, do serviço secreto cubano, além de seguirem recebendo dinheiro dos globalistas, e enquanto a burguesia brasileira solta foguete com a prisão do Lula, eles estão se reformulando, trocando de pele porque este é o ofício da cobra.


Membros de uma seita não desistem nunca.
É preciso ver a prisão de Lula como uma janela, uma oportunidade para entrar com bisturi na guerra cultural que mal começou no país.
Estamos no olho do furacão de uma reviravolta cultural que vai durar uns 200 anos.


Recomendo que treine os seus filhos, pois precisaremos deles.
NÃO NOS ILUDAMOS!

A ação realizada ontem pelo PT foi uma manobra Estratégica conhecida como reconhecimento em força.
O objetivo principal era apenas o de avaliar o dispositivo de defesa das Instituições de Estado, Poder Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas. A reação da sociedade.

A força das redes sociais. O comportamento da mídia. Os flancos expostos.
É uma operação que precede o ataque.
O ataque final está por vir.


A decisão sobre “o quando” e “o como” será tomada por ocasião da reunião do Foro de São Paulo em Cuba. Dirceu foi solto para coordenar isto.
A via de acesso que será utilizada está pavimentada e todos já conhecemos: o STF.
A hora se aproxima, e será logo após o recesso da Corte .
Estejamos preparados!
Não há o que comemorar.
O que obtivemos ontem foi uma vitória de Pirro.”
Olavo de Carvalho.

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VAI PARA A CADEIA?

Olha a tolerância de um petista

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Os senhores do mundo estão reunidos para decidir o seu destino e o meu – Imprensa brasileira ignora

09/07/2018

Bilderberg, la conférence la plus secrète du monde

VALERIE DE SENNEVILLE / Journaliste Le 07/06 à 07:32
Une centaine d'invités triés volet converge printemps hôtel luxe, privatisé l'occasion. Ici, l'Interalpen-Hotel Tirol, Autriche, acceuilli conférence juin 2015. 
Une centaine d’invités triés sur le volet converge chaque printemps vers un hôtel de luxe, privatisé pour l’occasion. Ici, l’Interalpen-Hotel Tirol, en Autriche, qui acceuilli la conférence en juin 2015.  – CHRISTIAN BRUNA/AFP

ENQUÊTE Le groupe Bilderberg se réunit à partir de jeudi pour trois jours à Turin, en Italie. Depuis 1954, ce club ultra-fermé reçoit des grands du monde politique et économique sans que rien ne filtre de leurs échanges, charriant fantasmes et théorie du complot.

Le lieu a été tenu secret jusqu’au dernier moment. La liste des invités et les thèmes des discours aussi. Ce jeudi 7 juin, pour trois jours, s’ouvre à l’hôtel Torino Lingotto Congress à Turin en Italie, la conférence Bilderberg, un club très fermé qui réunit chaque année des personnalités du monde économique, politique et intellectuel. Pendant trois jours, les participants y croiseront peut-être cette année Patrick Pouyanné, le patron de Total, faisant la queue au buffet du déjeuner avec l’ambassadeur pour les Océans norvégien, Vidar Helgesen, ou participeront aux conférences assis à côté de la reine des Pays-Bas ou d’Henry Kissinger, deux piliers de la conférence.

Depuis 1954, une centaine d’invités triés sur le volet convergent au printemps vers un hôtel de luxe privatisé pour l’occasion et placé sous haute protection. Chefs d’Etat, ministres, patrons de banque, PDG de multinationale, militaires, spécialistes de la sécurité internationale, universitaires et représentants d’organisations internationales comme le FMI ou la Banque mondiale sont priés de venir seuls, sans conjoint ni garde du corps.

« Cercle d’influence puissant »

Créé en pleine guerre froide par le milliardaire américain David Rockefeller, l’ancien diplomate polonais Joseph Retinger et le prince Bernhard des Pays-Bas, le « groupe Bilderberg » tire son nom de l’hôtel où le groupe s’est réuni la première fois à Oosterbeek, aux Pays-Bas. « L’objectif était de constituer un cercle d’influence puissant dans les domaines économique et financier, pour faire face à la menace communiste », explique Thierry de Montbrial, le patron de l’Institut français des relations internationales (Ifri), qui en a fait partie pendant près de quarante ans.

« C’est un événement géopolitique majeur dans l’année », assure une ancienne participante. Mais l’« événement » reste confidentiel. Rien ne filtre jamais des échanges qui s’y tiennent. « C’est une règle importante et qu’il ne faut pas changer si l’on veut maintenir la qualité des débats », assure Henri de Castries, l’ancien patron d’Axa et président du comité directeur du groupe de Bilderberg.

En être ou pas

Que se passe-t-il vraiment pendant ces trois jours ? Ceux qui y participent affirment qu’il s’agit de discussions informelles et de réunions sur les grands sujets du moment. Les seules informations publiques sont les – très – larges thèmes de discussion et la liste des participants.  Cette année, 128 personnalités de 23 pays débattront entre autres du « populisme en Europe » ou du « monde post-vérité » ; mais aussi de l’« informatique quantique » ou des « Etats-Unis avant les élections de mi-mandat ».

Mais c’est surtout la liste des invités qui retient l’attention. Bref, en être ou pas, un peu comme les dîners du Siècle, à Paris. Un cénacle d’initiés avertis parlant le même langage et partageant les mêmes valeurs. Entre égaux. D’ailleurs, les invités sont placés lors des débats par ordre alphabétique, sans hiérarchie. « J’ai ainsi longtemps été placé à côté de Mario Monti », raconte Thierry de Montbrial.

 A côté, Davos c’est la seconde division 

De même, les dîners et déjeuners ne sont jamais placés, sauf pour la table de la reine des Pays-Bas et celle du président du Bilderberg. « En 2010, il me semblait reconnaître la personne dans la queue devant moi pour le buffet… c’était Bill Gates »,raconte encore Thierry de Montbrial. « C’est un truc génial pour rencontrer des gens et cultiver son réseau », s’enthousiasme un ancien participant. « A côté,  Davos c’est la seconde division », ironise un autre.

Cette année, côté français, le ministre de l’Education, Jean-Michel Blanquer, mais aussi l’ancien Premier ministre Bernard Cazeneuve, aujourd’hui avocat chez August Debouzy, ou bien encore la nouvelle directrice générale de l’Unesco, Audrey Azoulay, seront présents. Des Américains, comme le cofondateur de KKR Henry Kravis et le général David Petraeus, qui a rejoint le fonds, le cofondateur de LinkedIn, Reid Hoffman, ou le professeur de science politique Michael Horowitz feront le voyage et dialogueront peut-être avec le CEO de Vodafone, l’Italien Vittorio Colao, ou le président de Fiat Chrysler, John Elkann…

Coeur du réacteur

Mais pour comprendre le mode de fonctionnement du Bilderberg, il faut d’abord s’intéresser au comité directeur, c’est le coeur du réacteur. C’est là que tout se joue, sa composition permet de décrypter l’objet et la doctrine de la conférence. Une trentaine de personnalités forment ce comité permanent présidé depuis 2011 par le Français Henri de Castries. Historiquement, pour ce club fondé au moment de la guerre froide, les Américains y sont surreprésentés avec neuf personnes, dont Kenneth Jacobs, le président de Lazard, mais aussi Eric Schmidt, l’ancien président d’Alphabet, le holding qui chapeaute Google. Les autres pays ont deux représentants.

Henri de Castries, président de l\'Institut Montaigne et ancien patron d\'Axa , préside le groupe Bilderberg depuis 2011 - AFP/ ERIC PIERMONT
Henri de Castries, président de l’Institut Montaigne et ancien patron d’Axa , préside le groupe Bilderberg depuis 2011 – AFP/ ERIC PIERMONT

Outre le président du comité, l’ancienne directrice générale d’Artémis Patricia Barbizet représente la France. L’on y trouve aussi le Turc Ömer Koç, à la tête de l’un des plus importants holdings turcs, le Portugais José Manuel Barroso, ancien président de la Commission européenne et maintenant président de Goldman Sachs International, l’Allemand Thomas Enders, patron d’Airbus, l’Américain John Micklethwait, rédacteur en chef de Bloomberg, ou encore l’Anglaise Zanny Minton Beddoes, à la tête de la rédaction de « The Economist »…

Bonnes intuitions

A eux, chaque année, de choisir le lieu de la réunion annuelle. Le pays invitant charge ses nationaux du comité directeur de lever les fonds pour financer le séjour de la centaine d’invités auprès des entreprises et des autorités. Quand la réunion s’est tenue en France, au Trianon Palace, par exemple, c’est le fondateur de Fimalac, Marc Ladreit de Lacharrière, qui s’est chargé de trouver les fonds. « Ce n’est pas un gros budget, entre 1 et 2 millions tout au plus. D’autant plus que maintenant les participants doivent payer leur billet et leur chambre d’hôtel », assure Thierry de Montbrial.

Mais, surtout, c’est ce comité directeur qui va sélectionner les heureux candidats qui auront le droit de venir participer aux débats. Et il faut avouer qu’en ce domaine ils ont eu de bonnes intuitions : Bill Clinton, Margaret Thatcher, Edouard Philippe, Emmanuel Macron ont participé bien avant leur arrivée au pouvoir à ces journées… Nicolas Sarkozy ou Donald Trump, en revanche, n’ont jamais été invités.

Le club est clairement libéral – voire libertarien avec Peter Thiel au comité directeur – mais les « sociaux-démocrates » sont aussi les bienvenus. Dominique Strauss-Kahn (en 2000), Michel Rocard ou Laurent Fabius ont fait partie des invités, tout comme l’ancien secrétaire général de l’Elysée Jean-Pierre Jouyet, aujourd’hui ambassadeur de France à Londres… Chaque pays représenté au comité directeur _ une vingtaine _ a son quota d’invités.

Augmenter la diversité

« C’est une sélection très scrupuleuse des participants », explique Henri de Castries, qui reconnaît trier sur le volet « des gens qui ont une pensée » et capables en outre d’écouter les autres pendant trois jours d’affilée. « On a intérêt à avoir quelque chose à dire et parler un excellent anglais, sinon on n’est plus invité », confirme une sélectionnée. De toute façon, « on y est invité jamais plus de deux ou trois fois. Ca tourne », explique Thierry de Montbrial.

 Il faut revenir à l’esprit du Bilderberg : celui de renforcer les relations transatlantiques par des échanges les plus larges possible 

Depuis qu’il a pris la présidence du Bilderberg, Henri de Castries a donné comme directive d’augmenter la diversité, de féminiser et de rajeunir les participants. C’est ainsi que Jeff Bezos, le patron d’Amazon, des économistes comme Nicolas Baverez et Laurence Boone ont fait partie des « happy few ».

Mais le groupe reste exclusivement composé de personnalités du monde occidental. « On peut discuter sans l’Inde et la Chine car il faut revenir à l’esprit du Bilderberg : celui de renforcer les relations transatlantiques par des échanges les plus larges possible », explique le président de l’Institut Montaigne. Cela n’empêche pas cependant la vice-ministre des Affaires étrangères chinoises, Ying Fu, ou le professeur d’économie, Yiping Huang, d’avoir été invités.

« Gouvernement du monde »

A l’intérieur de ce cénacle, « toutes les sensibilités doivent être représentées », tient cependant à préciser Henri de Castries. Il rappelle que des échanges extrêmement vifs peuvent avoir lieu, reflétant bien souvent les débats extérieurs, comme en 2003 au moment de la guerre en Irak. Cette année-là, la conférence était organisée au Trianon Palace à Versailles, en France, et de vives discussions avaient opposé plusieurs participants au néoconservateur John Bolton, alors proche de George W. Bush (et aujourd’hui conseiller à la sécurité nationale de Donald Trump).

 David Rockefeller ou Giovanni Agnelli n’avaient pas besoin de la CIA pour lancer le Bilderberg 

Mais, au bout du compte, « aucune résolution ne sera prise, aucun vote ne sera organisé, aucune mesure ne sera proposée. Il y aura des comptes rendus mais non attribués et distribués exclusivement aux participants », assure Thierry de Montbrial, qui veut casser « la machine à fantasmes ». Car le secret qui entoure la réunion fait le bonheur des thèses complotistes de « Gouvernement du monde », de « cheval de Troie de la CIA en Europe »…

Protestation contre la tenue de la conférence Bilderberg en juin 2010 à Sitges, près de Barcelone   - AFP/ JOSEP LAGO
Protestation contre la tenue de la conférence Bilderberg en juin 2010 à Sitges, près de Barcelone   – AFP/ JOSEP LAGO

« C’est clairement une idéologie transatlantique et ‘business oriented’,ne craint-il pas de dire, mais penser que la CIA a influencé le Bilderberg est invraisemblable. Car ce sont de grands hommes d’affaires comme David Rockefeller ou Giovanni Agnelli qui l’ont lancé, et je vous assure qu’ils n’avaient pas besoin de la CIA pour le faire. »

Règle de Chatham House

« Il faut arrêter de fantasmer sur le Bilderberg, il fonctionne comme tous les think tanks britanniques ou les conférences qui adoptent la règle de  Chatham House [un code éthique historique de la diplomatie britannique qui interdit de rendre publics les identités et les propos des invités,Ndlr] », confie un habitué de ces clubs très fermés.

 L’évolution du Bilderberg reflète l’évolution du monde 

D’autres conférences, tout aussi secrètes mais moins connues, l’utilisent, comme celles de la Ditchley Foundation. Ce n’est pas un hasard si elles ont été créées dans les années 1950. La Ditchley Conference, qui se réunit une dizaine de fois par an depuis 1958, a officiellement pour but de développer les relations entre la Grande-Bretagne et les Etats-Unis.

« L’évolution du Bilderberg reflète l’évolution du monde », explique Thierry de Montbrial qui, après une période très business, note un retour du politique. Et quand il a fallu compter avec l’Asie, plusieurs personnalités du groupe – David Rockefeller et Henry Kissinger, notamment – ont créé en 1973 la « commission trilatérale » avec pour but de construire une coopération politique et économique entre les trois zones clefs du monde – Europe occidentale, Amérique du Nord et Asie-Pacifique.

Preuve du changement du Bilderberg, son président a accepté de répondre à nos questions et commencé à lever le voile. Depuis 2013, la conférence a même son  propre site Internet sur lequel sont publiés la liste des invités et les thèmes, quarante-huit heures avant l’ouverture. Mais cela s’arrête là. Ce qui se dit au Bilderberg reste au Bilderberg.

Valérie de Senneville

08/07/2018 – La Journée des Dupes – A TARDE DOS PATETAS – ESTAMOS COM SERGIO MORO! Desembargador que mandou soltar Lula foi filiado ao PT durante 20 anos!! ESTAVAM SÓ ESPERANDO O BRASIL SAIR DA COPA – ESPERARAM SÉRGIO MORO ENTRAR DE FÉRIAS

08/07/2018

O  petista é sempre petista,

se estiver na Igreja, trabalha pro PT

Se tiver na sala de aula, doutrina pro PT

Se for juiz, advoga pro PT

Se for jornalista, milita pro PT

  1. Amanhã ainda entrarei com representação no CNJ contra esse juiz, ele precisa ser afastado.

    z moro dois

Dhma-unWkAEWIU-

Por que as Ratazanas tem medo do Moro ? Porque Moro e a LEI .Por que as ratazanas tem medo do Jair Bolsonaro ? Porque Bolsonaro defende e cumpre a LEI !!!

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Que justiça é essa? O desembargador Rogério Favreto, que foi filiado ao PT, monocraticamente, mandou soltar Lula, contrariando o STF, que antes negou habeas corpus. Menos mal que o juiz Sérgio Moro colocou os pingos nos is, exigindo respeito à lei!

z sergio um

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URGENTE: DELEGADO FAZ GRAVE DENÚNCIA CONTRA DESEMBARGADOR QUE MANDOU SOLTAR LULA! “ELE FOI FILIADO AO PT POR 20 ANOS. HÁ, CLARAMENTE, TRAFICO DE INFLUÊNCIA OU CRIME PIOR!”

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A , vulgo assessora de imprensa do PT na , estava tão exaltada com a possível soltura de Lula que ligou o modo CAPS LOCK no Twitter. E pelo jeito deve ter tido um treco com a decisão do Gebran que manteve Lula preso, já que não atualizou o Twitter mais.

A jogada ensaiada pra livrar o condenado não deu certo. No meio do caminho estavam Dr. Moro dr. Gebran e a justiça.


ENQUANTO ISTO NA MAIOR E MAIS ANTIGA DITADURA DO MUNDO

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