Europeus foram escravos de africanos

Page aimée · 18 février ·

“Há mouro na costa!”,
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ou a pouco conhecida escravização dos portugueses pela pirataria norte-africana

Foram muito comuns ao longo de séculos os ataques da pirataria moura, sediada em Marrocos, na Tunísia e na Argélia, à costa europeia. Estes faziam-se para o saque de mercadoria e, particularmente, de escravos – cristãos raptados, levados dos seus lares e submetidos à escravatura no norte de África ou exportados para outras regiões do mundo islâmico.

A frequência e capacidade destruidora da pirataria muçulmana foi-se alterando com as eras, variando de investidas de grande escala – como a que fizeram os muçulmanos contra a própria cidade de Roma, em 846 – até ataques mais localizados e de menor potência, mas também devastadores.
Ao longo dos séculos, vários milhões de cristãos terão sido assim capturados, havendo um dos mais famosos sido o príncipe das letras espanholas, Miguel de Cervantes. Portugal foi, compreensivelmente, vítima muito frequente destes golpes.
As últimas datam apenas do século XIX, quando há ainda relatos de ataques corsários a orfanatos e do rapto de dezenas de crianças por navios provenientes da costa da Berbéria.

A expressão popular portuguesa “Há mouro na costa”, indicativa de um perigo iminente, refere-se precisamente a essa realidade. De maneira a se defenderem dos visitantes piratas, os países do sul da Europa desenvolveram intrincada rede de postos de vigia costeiros. Ao avistamento de embarcações suspeitas, soaria desses pontos avançados o grito “Há mouro na costa!”.

As populações tratariam depois de encontrar local de abrigo, retirando-se para fortins, cidades ou para o interior. A expressão oposta “Não há mouro na costa!”, que indica não haver perigo, é também herança do clima de medo que se vivia na costa portuguesa.

RPB


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