Novos estudos reformulam a História do Brasil

Novos estudos reformulam a História do Brasil.

Pesquisadores que tiveram acesso a documentos, antes secretos, produziram novas teses sobre a História do nosso país.

O historiador Marco Antônio Villa e o jornalista Leandro Narloch falam sobre o assunto: “A história consagrada nos livros é de esquerda”

O maior sonho dos negros depois de obter a liberdade era…?  Possuir escravos. .

Muitos dos traficantes de escravos para o Brasil eram eles mesmos negros, que não apenas vendiam os escravos para os portugueses na costa africana, mas eram também os donos e a tripulação dos navios que traziam os escravos até o Brasil, açoitando eles pelo caminho até os portos brasileiros, mantendo-os acorrentados em porões imundos, e atirando-os aos tubarões quando já muito fracos – nada muito diferente do que eles já faziam na Africa durante séculos antes.

No final do século XVIII o maior traficante de escravos para o Brasil era um negro. .

Dito isto surge a pergunta: quantos cotistas que estão hoje nas universidades não são eles mesmos descendentes de negros que eram senhores de escravos?

O escravo José Francisco dos Santos conquistou a liberdade. Depois de anos de trabalho forçado na Bahia, viu-se livre da escravidão, provavelmente comprando sua própria carta de alforria ou ganhando-a de algum amigo rico. Estava enfim livre do sistema que o tirou da África quando jovem, jogou-o num navio imundo e o trouxe amarrado para uma terra estranha.

José tinha uma profissão – havia trabalhado cortando e costurando tecidos, o que lhe rendeu o apelido de “Zé Alfaiate”.

No entanto, o ex-escravo decidiu dar outro rumo a sua vida: foi operar o mesmo comércio do qual tinha sido vítima. Voltou à África e se tornou traficante de escravos. Casou-se com uma das filhas de Francisco Félix de Souza, o maior vendedor de gente da África atlântica, e passou a mandar ouro, negros e azeite de dendê para vários portos da América e da Europa.

Foi o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger que encontrou, com um neto de Zé Alfaiate, uma coleção de 112 cartas escritas pelo ex-escravo. As mensagens foram enviadas entre 1844 e 1871 e tratam de negócios com Salvador, Rio de Janeiro, Havana (Cuba), Bristol (Inglaterra) e Marselha (França). Em 22 de outubro de 1846, numa carta para um comerciante da Bahia, o traficante conta que teve problemas ao realizar um dos atos mais terríveis da escravidão – marcar os negros com ferro incandescente.

Diz ele:  ‘Por esta goleta [uma espécie de escuna] embarquei por minha conta em nome do sr. Joaquim d’Almeida 20 balões [escravos] sendo 12 H. e 8 M. com a marca “5” no seio direito. Eu vos alerto que a marca que vai na listagem geral é “V seio” mas, como o ferro quebrou durante a marcação, não houve então outro remédio senão marcar com ferro “5”.’ .

Talvez Zé Alfaiate tenha entrado para o tráfico por um desejo de vingança, na tentativa de repetir com outras pessoas o que ele próprio sofreu. O mais provável, porém, é que visse no comércio de gente uma chance comum e aceitável de ganhar dinheiro, como costurar ou exportar azeite.

Havia muito tempo que o costume de atacar povos inimigos e vendê-los era comum na África. Com o tráfico pelo oceano Atlântico, as pilhagens a povos do interior, feitas para capturar escravos, aumentaram muito – assim como o lucro de reis, nobres cidadãos comuns africanos que operavam a venda.

Essa personalidade dupla da África diante do tráfico de escravos às vezes aparece num mesmo indivíduo, como é o caso de Zé Alfaiate. Ex-escravo e traficante, foi ao mesmo tempo vítima e carrasco da escravidão.””

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