1969 – COMO VAI O TERROR – conheçam os “artistas”

13 de agosto de 1969 REVISTA VEJA

As seis perguntas do terror
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Pyotr Tkatchev, que morreu num asilo de loucos, foi um dos mais obscuros e talvez o mais conseqüente dos terroristas. Por volta de 1870, propôs que fossem assassinados todos os russos e russas com mais de 25 anos de idade, “porque os adultos são incapazes de compreender os ideais da revolução”.

Pyotr concordava com seus companheiros anarquistas quanto à necessidade de assassinar o czar, mesmo que o czar tivesse menos de 25 anos. Porém, ia mais longe. Achava que cada czar assassinado seria sucedido no trono por um outro ainda mais brutal e autocrata. Também o novo czar teria de ser assassinado e assim por diante: gerações de terroristas deviam estar sempre prontas para ir matando todos os czares, isso durante todos os séculos, até a eternidade.

Para Pyotr, o terror não era um meio de obter um fim político. Era um fim em si.
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No Brasil, na semana passada, terroristas de diversos tipos estiveram nas manchetes de todos os jornais.

São os terroristas brasileiros discípulos de Pyotr?

Pela amostragem da última semana, o terror brasileiro tem diversas caras, mas nenhuma delas é parecida com a do exaltado anarquista permanente. Quase a totalidade dos nossos terroristas – menos os poucos que não são de esquerda – quer, de diversas formas diferentes, um único fim: a destruição do “sistema capitalista” e a instauração do socialismo no País.

A população, que já conhece a violência do terrorismo através de ações cada vez mais freqüentes nos últimos anos, começa agora a conhecer suas verdadeiras intenções.

Mas ainda restam perguntas fundamentais sobre o terror:

– como estão os terroristas atualmente, depois que alguns grupos foram desbaratados?

– Que tipo de gente são os terroristas?

– Quantos atuam?

– O que já conseguiram, o que querem conseguir?

– Como estão sendo combatidos?

Como vai o terror?

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Os terroristas estão muito ativos e sofrendo muitas baixas.

Na segunda-feira, no Rio, quatro jovens assaltaram a Kombi de um banco. Levaram cheques sem fundos, um rádio de pilha e uma marmita de macarrão com frango; buscavam dinheiro para a subversão, segundo policiais.

No mesmo dia foi preso um técnico eletrônico, membro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 ­ data da morte de Guevara, em outubro de 1967), que tinha uma estação transmissora em sua loja em Ipanema. Seu companheiro Ivens Marchetti, arquiteto, preso na ilha das Flores, confessou que os assaltos eram “feitos para sustentar a preparação de guerrilhas no centro­oeste do Paraná”.

Terça-feira foram jogadas no palácio do Cardeal Dom Agnello Rossi, em São Paulo, uma bomba e uma carta com a assinatura de Carlos Marighella, antigo dirigente do Partido Comunista (segundo a polícia a assinatura não foi forjada).

E a semana continuou:

– um assalto em Guaratinguetá, SP,

– um no Rio e um em São Paulo;

– três jovens presos no Rio, com planos de assaltos;

– mais três presos em São Paulo;

um coronel baleado por estudantes que distribuíam panfletos no Rio.

No assalto ao Banco Nacional de São Paulo, no Rio, dois dos assaltantes foram presos. Eram do MR-26 (Movimento Revolucionário 26 de Julho, data do início da Revolução Cubana). Um dos presos, José Duarte dos Santos, ex-marinheiro expulso em 1964, disse na polícia:

“Eu não sou marginal. Vocês recuperam um marginal. Para mim, só o fuzilamento”.

O General Syzeno Sarmento, comandante do I Exército, comentou esse assalto:

“Não podemos arriscar a vida de nossos soldados. (…) Minha ordem foi clara: quando os soldados sentirem que alguém os vai atacar, podem atirar para matar, para valer”.

.E os terroristas?

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O General Meira Matos, inspetor-geral das polícias militares, disse há quase um ano, em documento distribuído a deputados federais:

“Os estudantes constituem peça importante na engrenagem da guerra revolucionária, já deflagrada pelas esquerdas”.

A importância dos estudantes no terror está demonstrada pelas próprias informações dirigidas pelas autoridades. Dos terroristas, a polícia só conhece uma parte:

– os que já foram presos e os que estão sendo procurados.

De janeiro de 1968 até a semana passada, as polícias dos vários Estados anunciaram ter identificado mais de 370 pessoas envolvidas em atos de terrorismo e assaltos com objetivos políticos.

Dos detidos nesse período (perto de duzentos) foi divulgada a qualificação de 128, dos quais 112 esquerdistas e doze direitistas.

Entre os de esquerda, quase todos de vinte a 25 anos de idade (apenas cinco com mais de trinta), 43 eram estudantes (38,5%).

Por que os estudantes são a maioria?

Para o General Meira Matos, a guerrilha rural fracassou na América Latina – “a morte de Guevara foi seu último suspiro” – e por isso as esquerdas decidiram transferir seu movimento das montanhas para as grandes cidades, onde a massa estudantil, motivada por uma série de contradições, talvez seja a vanguarda da luta.

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Para o diretor da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, Professor Eurípedes S. de Paula, os estudantes de sua escola não têm mais “saídas festivas”.

Explica: “Realmente houve uma mudança de atitude coletiva.

Acabou a fase festiva que só levava a mais repressão. Houve uma reflexão por parte dos estudantes. Uma parte radicalizou e partiu para o terrorismo.

Outra parte parou”.

Dos esquerdistas detidos e qualificados como não estudantes, 23 eram militares ou ex-militares (20%), os quais oito oficiais; dezenove eram profissionais liberais (17%); nove operários (8%).

Entre os restantes, que incluem cinco estrangeiros, há comerciários, bancários, funcionários públicos e um dono de hotel. Apenas oito dos esquerdistas (7%) são casados.

Se os detidos são uma boa amostra da composição do total, incluindo os procurados e os ainda não descobertos, as porcentagens indicariam a composição social dos grupos esquerdistas:

-maioria de estudantes,

– ex-militares e profissionais liberais;

-alguma penetração do terrorismo esquerdista junto aos operários.

Dos dezesseis direitistas, a maioria, oito, eram militares (nenhum oficial); havia um faxineiro, um pintor de automóveis, um escritor e marginais.

Além dos detidos e dos 166 identificados e procurados, quantos são os terroristas?

Ninguém sabe, mas investigadores do DOPS de São Paulo julgam que não conseguiram muita coisa contra o terrorismo: prenderam 36 terroristas, porém não puderam dissolver nenhuma das organizações a que pertenciam os detidos.

Técnicos do Departamento de Polícia Federal dizem que foram surpreendidos pela ação terrorista. Só há um ano as polícias estaduais e a federal passaram a ter especialistas para combater o terror.

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Com todas as baixas sofridas, porém, os terroristas continuam tão ativos quanto antes, o que pode dar mais uma indicação para os que quiserem especular sobre seu número.

Diz um técnico da Polícia Federal:

“Alguns têm sustentado a idéia de que os terroristas são, em última análise, psicopatas.

Tal teoria nos parece absolutamente falha: eles são, no fundo, técnicos, recrutados e treinados especialmente.

Evidentemente, não podem ser considerados psicopatas”.

 

Que fizeram?

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O terrorismo se concentra em São Paulo e no Rio, chegou a ser ativo em Belo Horizonte, atua menos intensamente no Recife, é insignificante em Curitiba, Salvador, Brasília, é praticamente desconhecido nas outras capitais.

Eis um balanço do terrorismo no País:
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SÃO PAULO Entre 1968/69 foram roubados 2.426.000 cruzeiros novos de 42 agências bancárias, seis carros pagadores, um trem pagador, uma agência de turismo, duas casas comerciais.

A maioria desses roubos (e dos que foram feitos em todo o País a partir de 1967) foi, seguramente, de autoria de grupos de esquerda.

Até o segundo semestre de 1967, os assaltos a bancos eram raros e feitos por marginais. Em São Paulo, até aquela época, a média ficava entre um e dois por ano, a maior do País.

Na segunda metade de 1967 começa a escalada dos assaltos, que coincide com o início da ação dos terroristas de esquerda contra quartéis e estabelecimentos públicos – principalmente ligados à polícia e Segurança Nacional.

 

QUARENTA ATENTADOS SÓ EM SÃO PAULO

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A segunda grande atividade terrorista são esses atentados que, em São Paulo, nos últimos dezoito meses, foram quarenta.

Metade deles foi dirigida contra quartéis e entidades como o jornal “O Estado de S. Paulo”, o Serviço de Informações dos EUA, a sede da Tradição, Família e Propriedade; todos esses são atribuídos à esquerda, embora a polícia ainda não tenha esclarecido a grande maioria das investigações.

As autoridades ainda não têm conclusões definitivas quanto a incêndios das TVs de São Paulo, de fábricas, explosões de bombas em ônibus, trilhos ferroviários e sedes de sindicatos. (No seu último manifesto, Marighella nega a autoria dos incêndios das TVs.)
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Em São Paulo o terror de esquerda se tem empenhado bastante no roubo de armas.

Nos dois últimos anos, pelo menos mais de duzentas armas foram levadas de casas comerciais, soldados, quartéis e de um hospital militar.

Nas listas divulgadas pela polícia aparecem 150 fuzis e 23 metralhadoras, além de uma quantidade ainda não calculada de dinamite e munições.

Houve ainda três ocupações de emissoras de rádio levadas a efeito por terroristas que fizeram divulgação de manifestos subversivos.

GUANABARA E ESTADO DO RIO

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Neste ano houve nos dois Estados 23 assaltos, sendo dezenove atribuídos a grupos subversivos pela Secretaria da Segurança.
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Total roubado: 1.222.000 cruzeiros novos; dinheiro recuperado: 68.000 cruzeiros novos.
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De março a dezembro de 1968, dezoito bombas terroristas explodiram nos dois Estados. Este ano, apenas três.

A DOPS carioca não conhece a autoria de nenhum desses atentados e está investigando seis incêndios ocorridos nos últimos dois anos, que alguns poucos policiais atribuem a grupos subversivos. Nada foi provado ainda.
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Foram apreendidos com esquerdistas presos 350 quilos de dinamite, 46 revólveres e metralhadoras e 200 quilos de munição.
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Em Porto Alegre (apenas 299.000 cruzeiros novos roubados em assaltos desde 1965, nenhum deles atribuído a grupos políticos) não há, no momento, nenhum terrorista ou subversivo de outro tipo preso, dizem as autoridades policiais.

A maior preocupação da polícia é a notícia de que o ex-líder sindical Edmur Camargo estaria implicado nos assaltos à Caixa Econômica Federal e ao Sulbanco, em junho passado.

Embora Edmur seja negro bem escuro de lábios grossos e as testemunhas tenham dito que o assaltante é mulato de lábios finos, o retrato falado foi tão mal feito que acabou coincidindo com as feições do ex-líder sindical. Mas o Secretário da Segurança, Coronel Jaime Mariath, julga que Edmur nada tem mesmo a ver com os assaltos.

Em Belo Horizonte, desde que a Organização Político-Militar foi desbaratada, no começo deste ano, não houve mais subversão.

 

Que provocaram?

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O terrorismo é, fundamentalmente, uma ação intimidativa, tendo como finalidade criar o pânico – a definição é de um técnico do Instituto Nacional de Criminalística.

Talvez então a palavra “terrorista” não fosse adequada para designar um subversivo que assalta bancos com o único objetivo de obter dinheiro para sustentar guerrilheiros ou uma rede clandestina de militantes.

No entanto, a sucessão de assaltos, acompanhada de algumas mortes, está criando um sentimento de medo em setores da população que trabalham em áreas visadas pelos subversivos assaltantes.

Um policial paulistano afirma: “Lutar com esses terroristas é o mesmo que tomar veneno. Esses caras não têm sentimento como a gente, não podem ver farda. A vida um negócio muito mais importante que o negócio dos bancos. Tem muita gente que faz tudo para não dar serviço em banco”.

Na agência da Rua Iguatemi, do Banco do Estado de São Paulo, todos os funcionários foram transferidos para outros bairros, depois que o estabelecimento foi assaltado duas vezes.

Explica o gerente:

“Eles sofreram um trauma muito forte e não poderiam continuar a trabalhar no mesmo lugar”.

A insegurança sentida pelos bancários e guardas de bancos não contamina o resto da população, preocupada com os incêndios e mortes.

Ainda assim não se pode dizer que exista um clima de terrorismo no País.

Não há nada de semelhante ao que ocorre em Israel, por exemplo, onde os terroristas do El Fatah soltam bombas em supermercados, feiras, residências, pontos de ônibus, exatamente com a intenção de criar o pânico na população civil.

No Brasil o terrorismo provocou a reação policial. Em São Paulo, nas proximidades de bancos, as tradicionais duplas de soldados da Força Pública foram substituídas por grupos de quatro, em muitos lugares. A polícia agora faz batidas mais rigorosas e mais sistemáticas.

Também em São Paulo foi anunciado o lançamento da Operação Bandeirante: de surpresa, trechos da cidade, principalmente à noite, serão bloqueados para a polícia revistar todos os automóveis e seus passageiros, à procura das armas e do material do terror.

Do ponto de vista econômico, a nação ainda não sofreu o golpe do terror. O dinheiro roubado dos bancos, quando não é enviado para fora do País, continua circulando, movimentando a economia, através de compras.

Mas, assim como os assaltantes criaram o terror, o clima de insegurança poderá levar a uma insegurança real em alguns setores da economia.

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Que vão fazer?

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O futuro do terror, se é que ele tem algum, é a guerrilha, como forma de, finalmente, derrotar o Exército e tomar o poder.

Pelo menos é o que dizem os subversivos presos em seus depoimentos e suas organizações, em manifestos clandestinos.

Os principais grupos de assaltantes e terroristas são :

– a Vanguarda Popular Revolucionária,

– o grupo de Carlos Marighella, o MR-8 e o MR-26 – esses dois, ao que parece, ligados entre si e a outros MRs, com números que lembram datas importantes no calendário da subversão.

Todos eles têm a guerrilha rural em seu programa – e o grupo de Marighella a anuncia ainda para este ano.

Existem ainda vários outros grupos:

– a Ala Vermelha do Partido Comunista do Brasil,

– o GENR (Grupo Especial Naecional Revolucionário),

– o Colina (Comando de Libertação Nacional),

– a Rede (Revolucionários Democráticos),

– o MIR, que o DOPS paulista conhece de nome – mas não sabe o significado da sigla, o que é, nem o que faz.

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GRUPO MARIGHELLA – a ação aqui faz lembrar o que ?

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Segundo as autoridades policiais, Marighella tem uma orientação esquerdista muito pessoal, não filiada a qualquer das correntes comunistas ortodoxas internacionais. Não segue Moscou, nem Pequim, nem Havana.

Seria uma espécie de livre-atirador, agindo de acordo com um programa que defendeu na Conferência Tricontinental de Havana, em 1967. Este programa é divulgado através de panfletos clandestinos, em nome da Ação Libertadora Nacional.

Entre outras coisas, num desses panfletos, datado do mês passado, Marighella afirma:

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“Todos os grupos revolucionários armados que estão lutando devem prosseguir com a guerrilha urbana, como temos feito sistematicamente até aqui, assaltando bancos, atacando quartéis, expropriando, intensificando o terrorismo de esquerda, justiçando, seqüestrando, praticando em larga escala a sabotagem, para tornar desastrosas as circunstâncias em que o governo tem de agir”

E continua:

“Este será o ano da guerrilha rural”.

E recomenda: “Expropriar os latifundiários, queimar suas plantações, matar seu gado para matar a fome dos famintos, invadir as terras, justiçar os grileiros e os norte-americanos envolvidos com eles em compras de terras…”

A dificuldade que a polícia tem em relação ao grupo de Marighella, até agora praticamente não atingido pela repressão, é que ele estimula a formação de “grupos armados diferentes, de pequenos efetivos compartimentados uns dos outros e mesmo sem elos de ligação”, segundo diz no seu panfleto.

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Diário de um jovem terrorista

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Aluísio Ferreira Palmas, estudante preso por acaso num acidente de trânsito, tinha um diário onde estão a ingenuidade, o romantismo e as dificuldades de sua coluna de quatro “guerrilheiros” do MR-8.

Eles andaram, à moda de Guevara, pelos matos das margens do rio Cascavel, Paraná.

Terça-feira, 17Estamos levando o abastecimento escondido no mato e fomos ao encontro de oberto e Santos. Relatei meu contato com Rui e discutimos a marcha da coluna. Apresentei uma série de críticas ao Santos e creio que fui muito violento. Ele continua mal, politicamente, mas melhorou muito, na prática. É preciso discutir abertamente muitas questões. Fomos dormir, com duas horas de vigia para cada um. Apresentei um plano de evacuação parcial da área. Tudo OK.
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Quarta-feira, 18 Saímos às 7 horas. Pelo caminho, Roberto deu instruções e Santos fez observações sobre as plantas. Ficamos conhecendo a urarana, que tem talo igual ao do palmito. Chegamos ao local de acampamento por volta de 13h30. Devido à chuva, ‘pifou’ nossa ida ao depósito.
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Domingo, 22Na noite anterior choveu sem cessar. Todos nós levamos as armas quando saímos para buscar água, defecar, etc. Isso se tornou lei entre nós.
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Segunda-feira, 23Santos fala muito em voltar à cidade. Fizemos uma limpeza geral das armas. Roberto contou passagens da vida dele. Impressionante como adquiriu consciência revolucionária. O rádio deixou de funcionar. Estamos sem notícias.
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Quarta-feira, 25 Eu e Roberto faremos a picada para o norte, enquanto Miguel e Santos caminharão para leste. Voltaremos a nos encontrar no sábado.
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Quinta-feira, 26 Faz hoje, se não me engano, cinco dias que estamos desligados do mundo. Discuti com Roberto a nossa concepção da Organização Político-Militar.
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Sábado, 28 Santos apresentou seu problema. Acredito que esse caso será muito sério. É preciso ter cuidado com o tipo.
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Domingo, 29 Toda a alimentação sofre com a umidade. À noite, bati um papo com o Santos. Fui às raízes dos problemas que ele está sentindo. O homem vacila em todos os níveis.

 

As teorias sobre explosões

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O que dizem os teóricos e dirigentes comunistas sobre o terrorismo?

Segundo um técnico do Departamento de Policia Federal, a ação terrorista, pura e simples, é, condenada por eles baseados nas seguintes razões:

1) pelo seu primitivismo, o terrorismo representa, no fundo, a incapacidade para o proselitismo, a arregimentação e o diálogo;

2) por traduzir, em geral, noção de golpe, de ação individual ou de um pequeno grupo, propenso à criação de heróis, em detrimento da ação coordenada das massas;

3) pelo seu aspecto absolutamente negativo, levando à repulsa da maioria da população e à reação violenta das autoridades, preocupadas com a manutenção do regime e da ordem.

Che Guevara, Lênin e Stálin pensavam realmente dessa forma?

Segundo Che, a sabotagem é válida, mas não o terrorismo:

“O terrorismo e o atentado individual são métodos absolutamente diferentes da sabotagem. Estamos sinceramente convencidos de que o terrorismo é uma arma negativa que nunca produz os efeitos desejados: é ele que pode afastar o povo de um movimento revolucionário e ao mesmo tempo provocar perdas humanas desproporcionais aos resultados obtidos.

Pode-se recorrer, no entanto, a atentados individuais, mas unicamente em casos bem particulares, para suprimir um dos chefes da repressão, por exemplo. Mas não se deve, de modo algum, utilizar material humano especializado para eliminar um pequeno assassino, cuja morte pode provocar a eliminação de todos os elementos revolucionários que participam do atentado, sem contar as vítimas de represálias”. (Che Guevara, “A Guerra de Guerrilhas”, 1960.)

KOBA IVANOVICTH = STALIN

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Lênin considerava a preparação de uma revolução como uma arte meticulosa onde o terrorismo poderia ter seu papel, mas apenas na fase já insurrecional “repousada sobre a classe trabalhadora preparada e sobre o impulso revolucionário do povo conduzido por sua elite”.

Em 1905 acreditava que essa fase insurrecional já existia em São Petersburgo e acusava o Partido Bolchevique de certa passividade: “Fala-se em bombas há mais de seis meses, sem se haver fabricado uma única. Organizai imediatamente grupos de combate, por toda a parte onde for possível. Armai-vos vós mesmos, sem delongas, com o que houver à disposição: revólveres, facas, trapos embebidos de petróleo, etc.

Esses grupos de combate devem agir imediatamente:

– uns, eliminando um policial agente secreto ou fazendo explodir um comissariado de polícia;

– outros, organizando um ataque contra um banco, a fim de confiscar dinheiro para a revolta”.

Nas ruas de Tiflis e Baku, no Cáucaso, um terrorista misterioso, conhecido pelo nome de Koba Ivanovitch, seguia à risca essas instruções e de tempos em tempos apareciam cadáveres de policiais mortos a tiros.

Esse terrorista ficaria famoso, quase vinte anos depois, sob outra alcunha: Stálin.

Foi ele o autor do maior assalto a banco realizado pelos bolcheviques quando ainda se preparavam para tomar o poder: 341.000 rublos.

Mas esse dinheiro nunca pôde ser usado: as notas eram todas de 500 rublos com números acima de 62.900 na série A. As únicas com essa numeração.

http://vejaonline.abril.com.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=1267&textCode=93484

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